11 de março, 2005 - 18h22 GMT (15h22 Brasília)
O líder do Partido Conservador da Grã-Bretanha, Michael Howard, sinalizou nesta sexta-feira o fim de um impasse no Parlamento do país em torno do projeto de lei contra o terrorismo.
Howard disse que seu partido vai retirar sua oposição ao projeto depois que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, do Partido Trabalhista, disse que o Parlamento teria a oportunidade de apresentar emendas às medidas ainda neste ano, quando mais legislação de combate ao terrorismo for proposta.
As duas Casas do Parlamento britânico - a Câmara dos Comuns e a Câmara dos Lordes - não conseguiram chegar a um acordo sobre a proposta, apesar de mais de 30 horas de debates que entraram noite adentro.
Alguns parlamentares se recusavam a abrir mão de emendas que colocariam um limite de 12 meses na vigência da lei e sobre a necessidade de muitas provas antes de cercear a liberdade de suspeitos. O debate ameaçava se prolongar pelo fim de semana.
A Câmara dos Lordes deve votar a matéria novamente ainda nesta sexta-feira.
A lei antiterror em vigor, adotada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, expira na noite de domingo.
Oito suspeitos estrangeiros detidos sem julgamento graças à lei receberam liberdade condicional.
Cárcere privado
O projeto de lei prevê medidas que praticamente instituem a possibilidade de cárcere privado para suspeitos de atividades terroristas.
A proposta proíbe o acesso à internet, telefones e até a comunicação com outras pessoas para suspeitos de atividades extremistas.
Entre as medidas mais polêmicas está o monitoramento eletrônico de suspeitos, que seriam "marcados" com dispositivos eletrônicos que possibilitam a localização da pessoa a qualquer momento.
O primeiro-ministro Tony Blair havia dito que a "segurança nacional pode ser ameaçada" com a dificuldade de aprovação do plano.