11 de março, 2005 - 19h04 GMT (16h04 Brasília)
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira que vão rever as objeções que impedem a entrada do Irã na Organização Mundial do Comércio (OMC), como uma forma de estimular o país a abandonar suas ambições nucleares.
"Vamos retirar nossas objeções ao pedido do Irã para entrar na OMC", afirmou a secretária de Estado, Condoleezza Rice.
"A decisão tomada pelo presidente dos Estados Unidos também prevê o apoio às negociações da União Européia com os iranianos", disse Rice.
Segundo Condoleezza Rice, o governo americano vai considerar a permissão de vendas de peças para aviões iranianos de uso comercial.
Mas o negociador iraniano Sirus Naseri disse que a oferta americana era "insignificante demais para ser comentada".
Europa
Após negociações com a União Européia, o governo do Irã, que insiste que o seu programa nuclear tem fins pacíficos, concordou em suspender o processo de enriquecimento de urânio – que pode ser usado tanto em usinas de energia nuclear como em armas atômicas.
A França, a Grã-Bretanha e a Alemanha estão agora tentando convencer o país a tonar a suspensão definitiva, em troca de benefícios comerciais e tecnológicos.
Também nesta sexta-feira, os três países europeus que lideram que as negociações com o Irã disseram que vão apoiar a idéia dos Estados Unidos de recorrer ao Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções contra Teerã caso o país volte a enriquecer urânio.
Em uma carta aos outros países-membros da União Européia, Grã-Bretanha, França e Alemanha disseram que as negociações não estão acontecendo tão rápido quanto o esperado.
Mudança
Até agora, os Estados Unidos vinham mantendo uma postura mais dura, acusando o governo iraniano de usar o seu programa de geração de energia nuclear para camuflar um suposto plano de desenvolver armas nucleares.
Segundo o correspondente da BBC em Washington Jonathan Beale, o presidente George W. Bush estaria analisando a possibilidade de concessões ao Irã desde sua viagem pela Europa em fevereiro.
Durante a viagem, Bush ouviu pedidos do presidente da França, Jacques Chirac, e do primeiro-ministro alemão, Gerhard Schroeder, para apoiar o diálogo da União Européia com o Irã.
Beale diz ainda que a decisão dos Estados Unidos marca uma mudança significativa na política de Washington para o Irã.