09 de março, 2005 - 09h22 GMT (06h22 Brasília)
O embaixador da Síria em Washington, Imad Moustapha, afirmou que o país completará a retirada de suas tropas no Líbano muito antes da eleições parlamentares libanesas, previstas para maio.
"Na verdade, elas estão sendo retiradas hoje", disse Moustapha na noite de terça-feira. "Faremos isso o mais rápido possível, bem antes de maio."
Suas declarações foram feitas na mesma noite em que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou num discurso que a Síria deve retirar as forças militares e serviços de espionagem do Líbano antes das eleições de maio.
"Chegou a hora de implementar totalmente a resolução 1559 da ONU. Todas as forças e serviços de espionagem devem sair antes das eleições, para que as eleições sejam livres e justas", afirmou o presidente na Universidade de Defesa Nacional, em Washington.
Bush citou um observador libanês, que disse que a democracia está batendo às portas do país. "E, se for bem-sucedida no Líbano, vai bater às portas de todos os regimes árabes", disse Bush.
Vale do Bekaa
O governo da síria já começou a transportar os cerca de 14 mil soldados em território libanês para o vale do Bekaa, perto da fronteira entre os dois países.
A iniciativa acontece após semanas de protestos nas ruas de Beirute pela retirada – que provocaram a renúncia do primeiro-ministro pró-sírio Omar Karami – e de forte pressão internacional sobre Damasco.
Nesta quarta-feira, o presidente libanês, Émile Lahoud, deve começar negociações com parlamentares para a formação de um novo governo.
Observadores afirmam que Lahoud, forte aliado de Damasco, deve nomear um novo primeiro-ministro também favorável à Síria.
Na terça-feira, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Beirute numa manifestação convocada pelo Hezbollah para agradecer a Síria por sua presença no país e em repúdio à "interferência estrangeira" em assuntos libaneses.