08 de março, 2005 - 00h35 GMT (21h35 Brasília)
O Parlamento do Kuwait concordou em acelerar seus procedimentos para aprovar uma lei que garanta às mulheres os mesmos direitos políticos dos homens.
A decisão foi tomada em meio a uma ruidosa manifestação de mulheres ativistas que foram autorizadas a assistir ao debate parlamentar sobre o tema.
Mas o público foi retirado das galerias depois que algumas ativistas aplaudiram um discurso de um parlamentar em apoio a sua causa.
O gabinete do Kuwait já aprovou um projeto de lei que permite que mulheres votem e concorram a cargos eletivos, mas a tramitação da proposta no Parlamento foi atrasada por ação do forte bloco islamista.
O governo conduziu uma rara campanha na televisão e rádio estatais para conquistar apoio público à proposta, quando opositores conservadores realizavam protestos quase diários.
Na segunda-feira, foi pedido às comissões do Interior e Defesa que analisem prontamente a proposta antes de remetê-la à plenária.
Dez parlamentares islamistas retiraram sua moção para encaminhar a legislação ao tribunal constitucional, dizendo que eles darão ao Parlamento uma oportunidade de debater a proposta.
Objeção islamista
Uma das organizadoras de uma manifestação de protesto de rua, Lulwa al-Mullah, disse à BBC que tanto mulheres quanto homens participaram do ato e havia uma forte presença policial.
Algumas das mulheres estavam totalmente cobertas, com longos véus, mas várias delas vestiam trajes na cor azul, que simboliza a luta pelos direitos da mulher no Kuwait.
As manifestantes carregavam cartazes com slogans como "Direitos das mulheres agora" e "Lei islâmica não tem nada contra os direitos das mulheres".
A maioria dos grupos islamistas no Kuwait se opõe à concessão de direitos políticos para as mulheres e o Parlamento derrotou duas vezes medidas semelhantes nos últimos anos.
Há notícias de que havia de 400 a 600 pessoas na manifestação pelos direitos das mulheres.
Governos do Oriente Médio, inclusive aliados de longa data dos Estados Unidos, estão sendo pressionados a realizar reformas políticas.
As mulheres do Kuwait podem trabalhar como diplomatas, dirigir empresas e trabalhar em todos os níveis na indústria, mas não podem votar nem se candidatar a eleições.
Em outros países do Golfo, tais como Bahrain e Catar, as mulheres já podem votar e concorrer em eleições.