28 de fevereiro, 2005 - 09h21 GMT (06h21 Brasília)
Grupos de oposição à influência síria no Líbano saíram às ruas de Beirute nesta segunda-feira, desafiando uma ordem do governo proibindo manifestações.
Os opositores exigem a instauração de um inquérito sobre o atentado que matou o ex-primeiro-ministro Rafik Hariri.
As autoridades temem que os protestos terminem em violência – organizações favoráveis ao governo pró-Síria libanês convocaram uma contramanifestação no mesmo horário e local.
O protesto dos governistas será contra a chegada ao país de um subsecretário de Estado americano, David Satterfield.
Os Estados Unidos têm pressionado a Síria a retirar os cerca de 15 mil soldados que mantém em território libanês.
O governo americano aumentou a pressão sobre Damasco após o assassinato de Hariri.
Manifestação
Militantes de oposição passaram a noite no centro de Beirute. Eles cantaram o hino nacional e empunharam bandeiras libanesas às 5h (hora local, 0h em Brasília), quando a proibição do governo entrou em vigor.
A multidão era observada por soldados, que fecharam o acesso às ruas de uma área no centro da capital onde fica o Parlamento.
O líder oposicionista Akram Shehayeb fez um discurso e chamou os soldados a aderir ao protesto.
O ministro do Interior libanês, Suleiman Franjieh, pediu ao Exército que utilizasse toda a força necessária para impedir a formação de manifestações públicas.
Os protestos foram marcados para coincidir com um debate no Parlamento sobre o assassinato de Hariri.
Muitos em Beirute acusam a Síria de envolvimento na ação suicida, já que Hariri vinha criticando abertamente o governo de Damasco.
Partidos de oposição pretendem organizar a votação de uma moção de desconfiança contra o governo do primeiro-ministro Omar Karami – que apóia a permanência das tropas sírias.