21 de fevereiro, 2005 - 00h11 GMT (22h11 Brasília)
O Partido Socialista derrotou neste domingo o governo social-democrata nas eleições gerais de Portugal.
Pela primeira vez desde a redemocratização do país, em 1974, os socialistas conquistaram maioria absoluta no Parlamento.
Com quase a totalidade dos votos apurados, os socialistas tinham conquistado 118 das 230 cadeiras do Legislativo.
Com o resultado, o novo primeiro-ministro será José Sócrates, que atuou como ministro do Meio Ambiente no último governo socialista.
O comparecimento às urnas foi de cerca de 65%, índice superior ao registrado nas eleições anteriores, em 2002.
O atual premiê, Pedro Santana Lopes, permaneceu apenas sete meses no poder. Mas seu partido, o social-democrata, estava no governo desde 2002, quando José Manueal Durão Barroso tornou-se o primeiro-ministro.
Santana Lopes havia assumido o governo após a renúncia de Barroso para se tornar presidente da Comissão Européia.
Desemprego
Com 47 anos e formado em engenharia civil, José Sócrates se define como admirador do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apesar de divergências, especialmente em relação à guerra no Iraque.
Um dos temas que dominou a campanha foi o desemprego, que está na marca mais alta dos últimos oito anos: 7,1%.
Os socialistas colocam a culpa no governo do Partido Social Democrata, que argumenta que a situação é resultado da herança do último governo socialista, que deixou o poder em 2002.
Para o analista político Carlos Magno, as eleições estavam julgando o atual primeiro-ministro.
“A eleição é, antes de mais nada, uma espécie de plebiscito do atual primeiro-ministro."
"Mais do que decidir qual é o partido que ganha e qual o partido que perde, os portugueses são chamados neste momento a pronunciar-se se querem ou não Santana Lopes”, disse Magno.