17 de fevereiro, 2005 - 08h39 GMT (06h39 Brasília)
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse haver uma lista cada vez maior de problemas entre os Estados Unidos e a Síria.
Ela acrescentou que a retirada da embaixadora americana de Damasco, Margaret Scobey, é por tempo indeterminado e tem a intenção de mostrar a forte insatisfação de Washington com o país árabe.
O governo do presidente George W. Bush acusa a Síria de apoiar grupos terroristas.
Muitos libaneses culpam a Síria pela explosão do carro-bomba que matou na segunda-feira o ex-premiê do Líbano Rafik Hariri, mas o governo sírio negou ser o responsável pelo incidente.
"A causa imediata (da retirada da embaixadora) foi o Líbano, mas infelizmente temos uma lista crescente de problemas com a Síria", declarou Rice na quarta-feira.
A secretária de Estado americana acrescentou que seu governo vai deixar claro quais medidas deseja ver a Síria adotar para solucionar o impasse. "Teremos de ver se os sírios vão levar a sério este sinal."
Síria e Irã
Em reação às pressões americanas, os governos do Irã e da Síria anunciaram que vão formar uma frente comum para enfrentar desafios e ameaças que vêm "do exterior".
"Estamos prontos para ajudar a Síria de todas as maneiras a confrontar ameaças", afirmou o vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, depois de um encontro na quarta-feita com o primeiro-ministro da Síria, Naji Al-Otari.
O governo americano acusa o Irã de estar desenvolvendo tecnologia para produção de armas nucleares.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirmou que a Síria e o Irã se enganam se pensam que apenas os Estados Unidos estão contra a sua atuação internacional.
"O problema não é com os Estados Unidos, é com a comunidade internacional. Tanto a Síria como o Irã possuem obrigações internacionais e precisam cumprir os compromissos que assumiram", disse ele.
Washington está avaliando novas sanções contra a Síria, por causa da recusa do país em retirar 14 mil soldados que mantém no Líbano.
O subsecretário de Estado americano William Burns, que estava em Beirute para o funeral de Hariri, pediu "uma retirada completa e imediata".
Em Teerã, o primeiro-ministro da Síria disse que seu encontro com a liderança iraniana está acontecendo em um "momento muito importante e delicado, em que Síria e Irã enfrentam numerosos desafios".
O vice-presidente do Irã disse que seu país ficaria ao lado da Síria.
"Nossos irmãos sírios estão enfrentado ameaças específicas e temos esperança de que eles possam se beneficiar de nossa experiência. Estamos prontos para dar a eles qualquer ajuda necessária", disse Aref.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, falando em Londres, disse que o Irã está a seis meses de construir a bomba nuclear.
O Irã, por sua vez, diz que seu programa nuclear não é militar.