15 de fevereiro, 2005 - 17h58 GMT (15h58 Brasília)
O governo americano determinou nesta terça-feira que sua embaixadora na Síria, Margaret Scobey, volte aos Estados Unidos para consultas “urgentes”.
A decisão foi tomada depois do atentado que matou o ex-primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, na segunda-feira em Beirute.
O governo americano divulgou que a decisão reflete sua crescente preocupação com o comportamento da Síria em uma variedade de assuntos, incluindo atividades relacionadas ao Irã e ao Iraque.
"A Síria mantém uma significativa presença militar e de agentes de inteligência no Líbano", disse o porta-voz do Departamento do Estado americano Richard Boucher. "O ataque de ontem coloca em dúvida a razão divulgada para a presença das forças sírias, ou seja, a segurança interna do Líbano."
Após a morte de Hariri, disse Boucher, a embaixadora americana entregou ao governo sírio uma mensagem “expressando nossa grande preocupação, assim como nossa profunda revolta, com este odioso ato de terrorismo”.
Progresso
A Síria mantém mais de 10 mil soldados no Líbano. O presidente do país, Bashar al-Assad, afirmou que o atentado foi um "ato criminoso terrível".
Hariri era considerado um opositor político do atual presidente, Émile Lahoud, tido como um aliado sírio.
Investigações iniciais sobre o atentado indicam que a ação foi realizada por um suicida.
Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a morte de Hariri foi uma grande perda para o Líbano e para a região e que é preciso ver mais progresso na retirada das tropas sírias do Líbano.
Annan afirmou que recentemente enviou uma carta para o presidente da Síria, Bashar al-Assad, instando-o a cumprir com a resolução 1559 da ONU, que cobra o fim da interferência externa no Líbano e a retirada das tropas estrangeiras que estão no país.
Annan confirmou ainda que seu enviado especial ao Oriente Médio, Teje Roed-Larsen, conversou recentemente com as autoridades sírias, mas evitou dizer qual foi o teor das discussões.