11 de fevereiro, 2005 - 09h19 GMT (07h19 Brasília)
Os Estados Unidos disseram esperar convencer a Coréia do Norte a retornar às negociações sobre o seu programa de armas nucleares, mas descartaram a oferta de concessões.
O governo americano também minimizou a importância do reconhecimento público feito pela Coréia do Norte de que tem armas nucleares.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que os Estados Unidos continuam "comprometidos com uma solução diplomática pacífica".
O governo norte-coreano disse que está deixando as negociações indefinidamente, afirmando que elas não têm sentido, por causa da política "hostil" dos Estados Unidos.
Críticas
Um porta-voz do Departamento de Estado, Adam Erell, disse que os Estados Unidos há muito tempo sabiam que a Coréia do Norte tinha capacidade nuclear, e enfatizou a importância da negociação multipartidária, que envolve outros países.
Mas o governo americano descartou a possibilidade de oferecer à Coréia do Norte novos incentivos para retomar as negociações.
"Nossa posição é consistente, e não vemos necessidade de revê-la", disse o porta-voz.
Líderes mundiais criticaram a posição da Coréia do Norte de desistir das negociações.
A Coréia do Sul, a China e a Rússia - membros do grupo que participa das negociações, que também inclui o Japão - apelaram para que a Coréia do Norte reconsidere sua decisão.
Uma autoridade sul-coreana disse: "Nós deixamos claro que não vamos tolerar as armas nucleares da Coréia do Norte".
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que a Coréia do Norte se arrisca a aumentar seu isolamento.
"O mundo mostrou a eles uma saída e nós esperamos que eles a usem", disse ela, em Luxemburgo.
Diferença de tom
O correspondente da BBC no Departamento de Estado, Jonathan Beale, disse que os Estados Unidos estão preocupados.
Apesar de a Casa Branca dizer que não está tratando a Coréia do Norte de maneira diferente da adotada com o Irã, há uma diferença clara de tom, de acordo com o correspondente.
Ele diz que essa diferença pode se dever em parte ao fato de a Coréia do Norte já ter capacidade nuclear, enquanto o Irã, provavelmente, não tem.
A discussão em torno do programa nuclear norte-coreano começou em 2002, quando os Estados Unidos acusaram o país de manter um esquema ilegal de enriquecimento de urânio.
Desde então, os dois países já se encontraram três vezes para negociações – junto com representantes de China, Japão, Rússia e Coréia do Sul – mas não houve muitos progressos.