10 de fevereiro, 2005 - 07h54 GMT (05h54 Brasília)
O presidente do Irã, Mohammad Khatami, disse que seu país jamais vai abrir mão da tecnologia nuclear.
A declaração foi feita em um momento em que é crescente a pressão internacional sobre o governo iraniano em relação ao tema.
Khatami também disse que haverá graves conseqüências, caso o Irã seja tratado injustamente.
Ele reiterou ainda que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos e é necessário para a produção de energia, refutando assim suspeitas dos Estados Unidos de que o objetivo final do Irã é produzir armas nucleares.
Conseqüências
Governos da União Européia têm tentado convencer o Irã a interromper definitivamente sua produção de urânio enriquecido, um ingrediente-chave na fabricação de armas nucleares.
“Nós garantimos que não vamos produzir armas nucleares porque somos contra elas e não acreditamos que sejam uma fonte de poder”, disse Khatami a jornalistas estrangeiros em Teerã.
“Mas não vamos abrir mão da tecnologia nuclear para fins pacíficos.”
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que um Irã armado nuclearmente seria “uma força muito desestabilizadora no mundo” e que o Ocidente deve trabalhar unido para evitar que isso aconteça.
A mensagem foi reforçada pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, durante sua viagem pela Europa.
Ela disse que a posição dos Estados Unidos e da União Européia é única e clara.
"É melhor o Irã entender essa mensagem e responder com as suas obrigações internacionais, caso contrário outras medidas serão tomadas'', disse a secretária de Estado, acrescentando ainda que ''todos entendem o que quero dizer com outras medidas''.
Apesar da ameaça, Rice disse ainda acreditar em uma solução diplomática para o caso.
Boa vontade
Enquanto negociações com a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha continuam em Genebra, na Suíça, o Irã suspendeu seus processos de enriquecimento de urânio.
Mas, na entrevista, Khatami disse que é um “claro direito” do país continuar com essas atividades, e que a suspensão só teve o objetivo de “mostrar nossa boa vontade”.
“Se sentirmos que outros não estão cumprindo suas promessas, sob nenhuma circunstância vamos nos comprometer a continuar honrando as nossas”, disse ele.
“E vamos adotar uma nova política cujas conseqüências serão pesadas.”