09 de fevereiro, 2005 - 15h37 GMT (13h37 Brasília)
A Câmara dos Deputados do Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, aprovou uma lei que proíbe a moda de se vestir calças com a cintura tão baixa que a cueca ou a calcinha do usuário fica à mostra.
De acordo com os membros da câmara, o hábito, popular nos Estados Unidos e em diversos países da Europa, estava tornando a sociedade "grosseira".
Mas críticos da medida disseram que os políticos deveriam olhar para seus próprios erros de vestuário, e afirmaram que a decisão atingiria principalmente pessoas negras.
A câmara de Virgínia aprovou a "lei da calça caída" por 60 a 34, em votação realizada nesta terça-feira.
Rap
Se o senado estadual também aprovar a lei, pessoas que estiverem mostrando suas cuecas ou calcinhas podem ser multadas em US$ 50 (cerca de R$ 130).
O hábito, aparentemente originado entre fãs do rap, se popularizou entre jovens de todas as raças, mas particularmente entre adolescentes negros.
A lei foi proposta pelo deputado democrata Algie T. Howell.
"Não é um ataque a calças largas. Não tem a ver com Janet Jackson. Não tem a ver com Randy Moss", disse ele, referindo-se ao jogador de futebol dos Estados Unidos multado recentemente por fingir abaixar as calças e mostrar as nádegas para a torcida adversária.
"Aprovar essa lei é dar um voto ao caráter, elevar nossa comunidade e fazer algo de bom, não apenas pelo Estado da Virgínia, mas por todo o país", acrescentou.
Poliéster
"Há uma razão para que roupa de baixo seja chamada de roupa de baixo", disse o republicano John Reid.
Já o democrata Lionell Spruill, se opôs, chamando a lei de "idiota".
Ele pediu que seus colegas se lembrassem de seu próprio mau gosto, incluindo o uso de sapatos de salto plataforma e de ternos de poliéster brilhante.
"Por favor, deixem os garotos se expressarem", apelou, alertando para o que chamou de lado sinistro da lei.
"Essa lei vai ter como objetivo os negros", afirmou.