03 de fevereiro, 2005 - 04h42 GMT (02h42 Brasília)
O IRA (Exército Repúblicano Irlandês) voltou atrás em sua promessa de abandonar por completo a luta armada na Irlanda do Norte, segundo mensagem divulgada pelo grupo nesta quarta-feira.
No ano passado, a organização que luta pela separação da Grã-Bretanha havia dito que iria completar seu desarmamento em algumas semanas.
A nova declaração, porém, diz que os governos britânico e irlandês "esgotaram" a paciência do grupo.
"No momento, parece que os dois governos têm a intenção de mudar as bases do processo de paz. Eles alegam que 'o obstáculo agora para um acordo duradouro e contínuo é a atividade criminal e paramilitar do IRA'. Nós rejeitamos isso", diz a mensagem, divulgada pelo jornal An Phoblacht.
Roubo
"Nossas iniciativas têm sido criticadas, minimizadas e desprezadas por elementos pró-unionistas e anti-republicanos (favoráveis à permanência da Irlanda do Norte na Grã-Bretanha), incluindo o governo britânico."
Na terça-feira, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, disse que a contínua atividade do IRA impedia um entendimento duradouro de paz na região britânica.
Blair fez a declaração depois de um encontro em Londres com o premiê irlandês, Bertie Ahern, para avaliar o futuro de processo de paz na Irlanda do Norte depois de um assalto a banco realizado em dezembro em Belfast.
No assalto, cerca de US$ 49,9 milhões foram levados de um banco, e houve suspeitas de que o IRA tivesse realizado o crime – algo que a organização já negou publicamente.
Em novembro, o IRA concordou em permitir que um representante protestante e um católico testemunhassem o seu processo de desarmamento – parte de uma série de medidas com o objetivo de restaurar um governo autônomo na Irlanda do Norte.
No entanto, o plano foi abandonado depois que o Partido Democrático Unionista (pró-união com a Grã-Bretanha) exigiu provas fotográficas do desarmamento – algo considerado impossível de se obter pelos republicanos.