01 de fevereiro, 2005 - 22h18 GMT (20h18 Brasília)
Líderes internacionais condenaram a decisão do rei do Nepal, Gyanendra, de afastar os membros da alta cúpula do governo e declarar estado de emergência no país.
O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Richard Boucher, disse que o governo do país está “profundamente” preocupado “com o aparente passo para trás da democracia no Nepal”.
“Além de restringir as instituições democráticas do Nepal, as ações, acreditamos, prejudicam os esforços nepaleses contra os rebeldes maoístas, o que é risco bastante sério para um futuro próspero e pacífico para o Nepal.”
A Grã-Bretanha pediu calma no país e que uma democracia multipartidária seja restituída no país o mais rápido possível.
Monarquia “em risco”
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressou opinião semelhante.
A alta-comissária da ONU para direitos humanos, Louise Arbour, pediu a Gyanendra que “garanta que as instituições democráticas do Estado sejam restauradas sem atraso”.
Na Índia, o governo também disse que a decisão do rei nepalês representa um retrocesso para a democracia e é motivo de grande preocupação.
Segundo um porta-voz do Ministério do Exterior, o ocorrido “beneficia não apenas as forças que querem sabotar a democracia, como também a monarquia como instituição”
“Autocracia”
O rei Gyanendra colocou o primeiro-ministro e os membros de seu gabinete em prisão domiciliar, acusando-os de ter fracassado na tentativa de acabar com as atividades dos rebeldes maoístas no país.
Gyanendra disse que estava assumindo o controle do país e que iria nomear um novo gabinete.
As linhas telefônicas para o país foram cortadas, os vôos para a capital foram cancelados, a imprensa local foi censurada e os sites da internet nepaleses ficaram inacessíveis.
Além disso, veículos blindados e soldados tomaram as ruas depois do anúncio feito pelo rei em cadeia de televisão – embora, mais tarde, eles tenham voltado aos quartéis.
O rei disse que o novo gabinete iria “restaurar a paz e efetiva democracia no país dentro dos próximos três anos”.
Representantes dos rebeldes maoístas, por sua vez, disseram que iriam trabalhar junto com qualquer pessoa que fosse contra o que chamaram de “autocracia feudal”.
Os rebeldes vêm lutando no país desde 1996, com o objetivo de abolir a monarquia.