01 de fevereiro, 2005 - 11h06 GMT (09h06 Brasília)
O Nepal entrou em uma crise política depois que o rei Gyanendra demitiu o governo e assumiu controle do país por três anos.
Foi declarado estado de emergência no país e tropas e veículos blindados estão nas ruas da capital, Katmandu, nesta terça-feira.
As comunicações telefônicas no Nepal foram cortadas, o aeroporto foi fechado e vários líderes políticos estão em prisão domiciliar.
Em um comunicado na televisão, o rei disse que estaria assumindo o controle do país por três anos porque os políticos fracassaram em proteger o Nepal e trazer paz ao país – em uma referência à rebelião maoísta que já dura nove anos.
Incerteza
"O rei deu um golpe de Estado e assumiu controle da administração do país e outros poderes", disse à agência de notícias AFP Sujata Koirala, do Partido do Congresso Nepalês.
O correspondente da BBC em Katmandu, Charles Haviland, diz que iniciativa do rei empurrou o Nepal para incerteza.
Essa é a segunda vez que o rei Gyanendra demite o primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba.
Ele tinha sido reconduzido ao cargo de primeiro-ministro do Nepal em junho passado, dois anos depois de ter sido demitido pelo rei Gyanendra por ter fracassado em conter a insurgência maoísta.
República comunista
Deuba tinha apelado aos rebeldes para que voltassem à mesa das negociações em 13 de janeiro, mas os insurgentes se recusaram.
Eles disseram que só poderiam negociar significativamente com o rei.
Os rebeldes querem substituir a monarquia constitucional por uma república comunista.
Cerca de 10 mil pessoas morreram nos nove anos de insurgência.
O rei Gyanendra subiu ao trono em circunstâncias dramáticas, em 2001, depois que seu irmão, o rei Birendra, foi morto em um massacre no palácio.