25 de janeiro, 2005 - 16h37 GMT (14h37 Brasília)
O chanceler alemão Gerhard Schröder disse que a Alemanha vai cumprir com sua obrigação moral de manter vivas as memórias dos crimes dos nazistas contra os judeus.
Em um discurso em Berlim para marcar a libertação do campo de concentração de Auschwitz, que completa 60 anos nesta quinta-feira, Schröder disse que a memória do genocídio nazista é parte da identidade nacional alemã.
Ele afirmou que o anti-semitismo ainda existe na Alemanha e disse que era dever de todos os democratas se opor ao crescimento dos neo-nazistas.
"A maioria dos alemães que vive hoje não se sente culpada pelo Holocausto. Mas eles sentem uma responsabilidade pelo que aconteceu", disse ele.
Os alemães têm o dever de "estar sempre atentos, e não podem virar a cara para o que aconteceu", disse o chanceler em Berlim.
Seis milhões de judeus morreram no Holocausto. Milhares de outros - principalmente poloneses, ciganos, prisioneiros soviéticos e homossexuais - também foram presos, submetidos a trabalhos forçados e mortos.
Memorial
Schröder disse que o "demônio de Hitler" não pode ser o único culpado pelo Holocausto e lembrou que pessoas comuns também apoiaram o nazismo.
"A maldade da ideologia nazista não apareceu do nada. Com certeza houve um processo que levou à brutalização do pensamento e à perda das inibições morais. Mas acima de tudo, a ideologia nazista foi criada por humanos."
Ele se disse envergonhado pelo sofrimento em Auschwitz e em todos os outros campos de concentração criados pelos nazistas.
"Nenhuma democracia forte pode suportar os inimigos da democracia e da tolerância."
Um memorial nacional do Holocausto na Alemanha deve ser inaugurado em maio perto do Portão de Brandemburgo, em Berlim. Segundo Schröder, esta será uma maneira de "não esquecer".
Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a comunidade internacional deve ficar atenta contra todas as ideologias baseadas no ódio e na exclusão, durante Assembléia Geral da ONU para marcar o 60º aniversário da libertação de Auschwitz.
Annan disse que um "mal" como esse jamais deve ser permitido novamente.
Segundo ele, apesar da tragédia do Holocausto, o mundo não foi capaz de impedir outros genocídios.