24 de janeiro, 2005 - 21h32 GMT (19h32 Brasília)
O grupo liderado pelo militante jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi afirmou, em um website islâmico, ser o responsável pelo atentado com carro-bomba realizado nesta segunda-feira em Bagdá, próximo à sede do partido do primeiro-ministro interino do Iraque, Ayad Allawi.
Dez pessoas ficaram feridas na explosão. Segundo autoridades, Allawi não estava próximo ao local.
Ainda nesta segunda-feira, o governo interino do Iraque anunciou ter prendido Sami Mohammed Ali Said al-Jaaf.
Segundo o governo, ele seria um dos membros mais importantes da rede de Al-Zarqawi e estaria envolvido em mais de 30 atentados com carros-bomba, entre eles aquele contra a sede da ONU em Bagdá que matou o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, em 2003.
Mas fontes do governo iraquiano disseram à BBC que as autoridades talvez estejam exagerando a importância da prisão de Al-Jaaf, também conhecido como Abu Omar al-Kurdi, por causa da proximidade das eleições iraquianas no dia 30 de janeiro.
Pressão
Segundo o correspondente, esse é mais um sinal da enorme pressão que o governo está sofrendo para assegurar que nenhum insurgente seja eleito para a Assembléia do país, em votação marcada para o próximo domingo.
Inicialmente, um comunicado do escritório de Allawi afirmava que as forças de segurança iraquianas haviam detido Al- Jaaf, também conhecido como Abu Omar al-Kurdi, em 15 de janeiro.
No documento, ele é descrito como "um dos mais letais integrantes do grupo de Al-Zarqawi".
O governo iraquiano disse que "Al-Kurdi confessou ter armado 75 por cento dos carros-bomba usados em ataques em Bagdá desde março de 2003".
Em agosto de 2003, uma forte explosão de carro-bomba em frente à sede da ONU na capital iraquiana matou 22 pessoas, entre elas Sérgio Viera de Mello, representante especial da ONU no país.
As autoridades iraquianas afirmam ainda que Al-Kurdi havia sido instruído por Zarqawi – que encabeça a lista dos mais procurados do Iraque – a explodir locais de votação para intimidar os iraquianos antes das eleições do próximo domingo.
Al-Kurdi teria admitido ter planejado também os atentados contra a embaixada da Jordânia, contra uma base militar italiana em Nasiriyah e o assassinato do líder xiita Mohammed Baker al-Hakim.
O Iraque anunciou a prisão também de Hassan Hamad Abdullah Mohsen al-Duleimi, responsável por fazer "propaganda" para Zarqawi.
Guerra à eleição
Acredita-se que Zarqawi tenha declarado guerra ao que ele chamou de "princípio mau da democracia".
Ele qualifica a eleição como uma armadilha americana para colocar a maioria xiita no poder.
Uma gravação divulgada em um website islâmico supostamente do militante nascido na Jordânia pediu aos muçulmanos sunitas que combatam a votação.
Insurgentes vêm realizando ataques em todo o país, num momento em que o Iraque se prepara para as eleições gerais programadas para 30 de janeiro.
O embaixador americano no Iraque, John Negroponte, admitiu nesta segunda-feira que os insurgentes representam um grande desafio para a condução das eleições no próximo domingo, mas disse que estão sendo feitos grandes esforços para permitir que os iraquianos votem.
Negroponte adimitiu que há problemas específicos em áreas sunitas – onde a insurreição é mais forte – mas que na maior parte do Iraque será mais seguro para as pessoas saírem de casa e votarem.