24 de janeiro, 2005 - 02h43 GMT (00h43 Brasília)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou o governo americano de ter planejado o seqüestro de Rodrigo Granda, dirigente das Farc, o maior grupo guerrilheiro da Colômbia, em dezembro.
O seqüestro de Granda, que foi detido em Caracas e levado para a Colômbia, onde se encontra preso, foi o pivô da atual crise que resultou no congelamento das relações entre os governos da Venezuela e da Colômbia.
Falando em Caracas para milhares de venezuelanos que participaram de uma manifestação em protesto contra a Colômbia neste domingo, Chávez disse que os EUA foram os responsáveis pelo seqüestro, ao pressionarem a Colômbia para isolar a Venezuela.
"Essa provocação veio de Washington, é a última tentativa dos imperialistas...de arruinar nossas relações com a Colômbia", disse ele.
Chávez também criticou a nova (ainda não empossada) secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, que na semana passada acusou a Venezuela de interferir em assuntos de países vizinhos.
"Esse assunto não me tira o sono. Todo o mundo sabe que a Venezuela tem razão, menos ela e seu governo", disse Chávez.
O presidente venezuelano reiterou que as relações com a Colômbia só irão melhorar quando o governo colombiano pedir desculpas por terem pago terceiros pela captura de Granda em território venezuelano.
A Venezuela retirou seu embaixador de Bogotá e suspendeu os laços econômicos com o país vizinho.
Milhares de venezuelanos marcharam pelas ruas de Caracas neste domingo, para apoiar Chávez e marcar os 47 anos de democracia no país.
A oposição também realizou uma marcha, bem menor, para protestar contra o que consideram um governo cada vez mais autoritário e que constitue um perigo para a democracia.
Na marcha pró-Chávez, os manifestantes levavam cartazes que diziam "Bush: Venezuela não é o Iraque!", e "Colômbia, fique fora da Venezuela".
A Colômbia tem defendido a operação que resultou na prisão de Granda, mas nega que forças colombianas tiveram envolvimento na sua captura na Venezuela.
Na semana, a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Carolina Barco, entregou um documento ao governo venezuelano com uma lista de sete supostos rebeldes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que, segundo o governo colombiano, estariam na Venezuela.
No sábado, o representante do presidente Luis Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, chegou à Venezuela para tentar mediar a crise.