23 de janeiro, 2005 - 10h44 GMT (08h44 Brasília)
O militante jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi declarou guerra às eleições do próximo domingo no Iraque.
Uma fita de áudio divulgada por um site islâmico, aparentemente com a voz de Al-Zarqawi, convoca os sunitas a lutar contra as eleições.
"Nós declaramos uma guerra amarga contra o princípio da democracia e contra todos aqueles que procurarem exercê-la", diz a fita de áudio.
Zarqawi assumiu responsabilidade por muitos atentados a bomba e seqüestros no Iraque.
Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de US$ 25 milhões por Zarqawi, cujo grupo é filiado à organização Al-Qaeda.
Segurança
Neste sábado, as autoridades do Iraque afirmaram que as eleições vão ser realizadas apesar da onda de violência, e anunciaram novas medidas de segurança.
O ministro do Interior do país, Falah Al-Naqib, disse que o aeroporto de Bagdá permanecerá fechado por dois dias e que a maior parte do território iraquiano será submetida a um toque de recolher, além de movimentação restrita de carros e pedestres.
Veículos não oficiais serão proibidos de viajar entre as 18 províncias iraquianas.
Segundo Naqib, os dias 29, 30 e 31 serão considerados feriados. Neste período, todas as fronteiras terrestres do Iraque permanecerão fechadas e as pessoas serão proibidas de andar armadas.
Naqib afirmou esperar que essas medidas garantam uma eleição pacífica.
Sem garantias
As declarações de Naqib ocorrem um dia depois de o primeiro-ministro interino do Iraque, Ayad Allawi, ter dito que seria impossível garantir total segurança no pleito.
Numa entrevista por telefone a uma rede de TV, na sexta-feira, Allawi admitiu que os procedimentos tomados para reforçar a segurança durante a votação não seriam suficientes para impedir todos os ataques.
"Não podemos dizer que não haverá nenhum ataque, porque os agressores vão tentar impedir o processo político. Apesar disso, temos a confiança de nossa segurança para dar conta dos desafios", afirmou.