13 de janeiro, 2005 - 21h07 GMT (19h07 Brasília)
Violações dos direitos humanos cometidas pelos Estados Unidos estão minando a lei internacional e erodindo o papel do país no cenário internacional, afirmou a ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.
Segundo a organização, os americanos já não podem mais reivindicar que estão defendendo os direitos humanos em outros países, se eles mesmo estão praticando abusos.
A ONG cobrou a criação de uma comissão independente nos Estados Unidos para examinar o abuso de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.
Na quarta-feira, uma outra entidade, o Worldwatch Institute, havia divulgado um relatório que dizia que a chamada “guerra contra o terrorismo” pode estar perpetuando o ciclo de violência no mundo.
Credibilidade
O governo americano está no momento investigando denúncias de abusos de prisioneiros no Iraque e também na prisão da base militar de Guantánamo, em Cuba.
A Human Rights Watch diz que os americanos já não podem mais dizer que sua posição é moralmente correta e liderar como exemplo.
A entidade cita as técnicas de interrogatório com coerção em Guantánamo e Abu Ghraib como especialmente prejudiciais.
O grupo, a maior organização de defesa dos direitos humanos baseada nos Estados Unidos, diz que as ações dos americanos nestas prisões tiveram um efeito negativo sobre a credibilidade do país como um defensor dos direitos humanos e líder da guerra contra o terrorismo.
“A adoção de interrogatórios com coerção é parte de um desrespeito mais amplo dos princípios dos direitos humanos em nome do combate ao terrorismo”, disse a ONG.
A entidade pede que o governo Bush instale uma comissão totalmente independente, no modelo da que investigou os ataques de 11 de setembro, para analisar as denúncias de abusos em Abu Ghraib.
Também pede a indicação de um promotor especial para determinar o que houve de errado e levar os responsáveis à Justiça.