06 de janeiro, 2005 - 14h54 GMT (12h54 Brasília)
Mahmoud Abbas - também conhecido como Abu Mazen - é o candidato do partido do Fatah e um dos favoritos para suceder Yasser Arafat, segundo as pesquisas.
Abbas foi o primeiro a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em maio de 2003, mas renunciou quatro meses depois por graves divergências com Arafat, que se negou a ceder o controle dos serviços de segurança, fundamentais para manter a estabilidade palestina.
Depois da morte de Arafat, Abbas foi nomeado presidente executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que foi fundada em maio de 1964 em Jerusalém com o apoio da Liga Árabe e agrupa diferentes facções palestinas.
Abbas, considerado sempre o segundo no comando, recebeu o apoio da Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, um grupo extremista que possui vínculos com o Fatah.
Fundador
Abbas nasceu na Palestina em 1935, quando o território era um protetorado britânico.
Ele é um dos poucos sobreviventes do movimento Fatah, o principal grupo dentro da OLP.
Exiliado no Catar, na década de 50, Abbas ajudou a recrutar muitos palestinos para a causa. Vários destes jovens viraram mais tarde figuras importantes na organização.
Abbas é um dos co-fundadores do Fatah junto a Arafat e acompanhou o líder palestino no seu exílio na Jordânia, no Líbano e na Tunísia.
Ele sempre foi respeitado por sua vida organizada e simples.
Polêmico
Abbas é um intelectual. Estudou Direito no Egito antes de fazer doutorado em Moscou. Escreveu vários livros.
Mas alguns grupos judaicos criticaram tanto o doutorado quanto seu livro O outro lado: a relação secreta entre o nazismo e o sionismo, dizendo que se tratava de uma negação do Holocausto.
Segundo esses grupos, o livro não traz o número exato de mortos e acusa os judeus de colaborar com os nazistas.
Mas Abbas negou tudo em uma entrevista ao diário israelense Haaretz, publicada em maio de 2003: "Só mencionei uma discussão que existe entre os historiadores. Um fala em 12 milhões de mortos e outro em 800 mil".
"Não tenho vontade de discutir os números. O Holocausto foi terrível, um crime imperdoável contra a nação judaica, um crime contra a humanidade que não pode ser aceito", acrescentou.
Arquiteto de Oslo
Abbas sempre se manteve em segundo plano mas, ao mesmo tempo, construiu uma rede de poderosos contatos entre líderes árabes e membros dos serviços de inteligência.
Isso permitiu que ele se convertesse em um arrecadador de fundos eficiente para a OLP e chegasse a um importante posto de segurança na década de 70, antes de transformar em chefe do Departamento de Relações Nacionais e Internacionais da organização.
Ele é considerado um pragmático e um dos principais entusiastas do diálogo de paz com a esquerda judaica, iniciado na década de 90.
Abbas é um dos arquitetos dos acordos de paz de Oslo e acompanhou Arafat à Casa Branca em 1993 para firmar o pacto.
No âmbito interno palestino, Abbas sempre pediu o fim dos ataques contra israelenses para evitar dar a Israel um pretexto para destruir a autonomia palestina.
Recentemente, Abbas disse a um jornal árabe: "O povo palestino tem o direito de expressar sua rejeição à ocupação por métodos populares e sociais, mas o uso de armas é prejudicial e deve parar".