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04 de janeiro, 2005 - 19h01 GMT (17h01 Brasília)

ONG causa polêmica ao dispensar doações

A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu ao público que pare de enviar a ela doações em dinheiro para as vítimas do maremoto no Oceano Índico, afirmando já ter recebido ajuda suficiente.

O diretor do MSF, Pierre Salignon, disse que a organização já obteve mais de US$ 53 milhões em doações.

Segundo ele, como todos os projetos do MSF na área do desastre já possuem os recursos de que necessitam, é uma questão de honestidade avisar o público que a entidade não precisa de mais doações.

Várias organizações de ajuda humanitária discordaram da iniciativa. Uma delas disse que o comunicado do MSF poderia dar a impressão errada de que as outras organizações também não precisam mais de doações para ajudar as populações e a reconstrução dos locais destruídos.

'Puxar o tapete'

"O que me choca é que eles correm o risco de puxar o tapete de outras organizações de ajuda humanitária. Muitos grupos ainda precisam de mais dinheiro", disse Jean-Christope Rufin, diretor da organização francesa Action Contre la Faim (Ação contra a Fome).

"É um pouco irresponsável. Todos nós da ajuda humanitária estamos no mesmo barco", afirmou ele à rede de TV France 2.

O MSF está prestando atendimento médico emergencial no Sri Lanka e na Indonésia.

Diferentemente de outros grupos, o MSF costumar agir apenas na fase mais crítica inicial da crise e seus projetos não continuam durante o processo de recontrução.

O coordenador da ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, disse esta semana que a resposta internacional tem sido exemplar.

Em vários países da Europa e nos Estados Unidos, o total doado pela população se aproxima ou até supera os valores prometidos pelos governos.

Apesar da boa resposta, muitas agência ajuda humanitária continuam fazendo apelos de emergência por doações.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, está tentando arrecadar em regime de urgência US$ 40 milhões em dinheiro. As doações podem ser feitas no site da OMS.

Os Estados Unidos, que foram criticados pelo tímido apoio inicial declarado (US$ 35 milhões, soma elevada depois a US$ 350 milhões), dizem que vão prestar ajuda de longo prazo aos países afetados.

O secretário de Estado americano, Colin Powell, afirmou na Tailândia que Washington "não vai abandonar" as vítimas do maremoto.

Powell viajou depois para a Indonésia, onde participará na quinta-feira de uma conferência para coordenar os esforços de ajuda internacional.