21 de dezembro, 2004 - 16h14 GMT (14h14 Brasília)
Tropas de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) estão sendo enviadas para a República Democrática do Congo para tentar estabelecer uma zona neutra e pôr fim ao mais recente surto de combates no leste do país.
Os combates eclodiram na semana passada depois que o Exército congolês tentou enviar seus soldados a uma área sob o controle de rebeldes que eram ligados à vizinha Ruanda.
Depois dos confrontos, os rebeldes no leste da República Democrática do Congo finalmente concordaram em não avançar além da cidade de Kanyabayonga.
A promessa foi feita por combatentes leais a um antigo grupo rebelde, o RCD Goma, que atualmente é parte do governo congolês.
A promessa foi feita depois que o presidente congolês, Joseph Kabila, exigiu o fim dos combates.
O grupo rebelde, que supostamente é apoiado por Ruanda, vem tentando impedir que o Exército do país tome o controle de uma área no leste do Congo perto da fronteira com Ruanda.
Ruanda nega qualquer envolvimento nos combates.
A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch advertiu para a ocorrência de uma crise humana na área, dizendo que até 180 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas nos últimos dias.
Ampliação do conflito
Os choques despertaram temores de uma ampliação do conflito envolvendo inclusive o país vizinho, Ruanda.
A instabilidade continuou no leste da República Democrática do Congo apesar de um acordo de paz no ano passado que previa que os rebeldes fossem integrados a um governo de transição.
"Os helicópteros estão no ar e receberam ordem para atirar em qualquer um dos insurgentes que se dirigirem a Lubero", disse um alto funcionário da ONU à agência de notícias Reuters, referindo-se a uma cidade na área.
As tropas da ONU vão criar a zona neutra entre as cidades de Kanyabayonga e Lubero para manter os dois lados separados, disse a missão da ONU.
A promessa de soldados renegados de não prosseguir seu avanço oferece esperança de uma pausa nas hostilidades.
O correspondente da BBC no leste do Congo, Rob Walker, disse que este mais recente motim destaca a persistente inabilidade de o governo do país firmar sua autoridade sobre a volátil região leste.
Embora os soldados rebelados sejam parte do Exército nacional, eles retiveram o controle de algumas áreas autônomas.
A República Democrática do Congo é um país vasto - com área equivalente a dois terços da Europa Ocidental. Sua população é de 50 milhões de habitantes.
Suas reservas de diamantes e minerais deveriam ter feito deste um país rico, mas esses recursos naturais acabaram despertando cobiça.