20 de dezembro, 2004 - 03h20 GMT (01h20 Brasília)
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou neste domingo que vai passar a assinar de próprio punho todas as cartas de condolências enviadas às famílias de soldados mortos em combate.
A decisão foi anunciada pouco depois de ele ter admitido usar uma máquina para assinar mais de mil cartas enviadas a parentes de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão.
A polêmica levou a novos apelos pela renúncia de Rumsfeld – principalmente do partido Democrata, de oposição.
No início do mês, foi a vez dos próprios soldados americanos protestarem contra Rumsfeld.
Durante uma visita à base americana no Kuwait, soldados reclamaram de terem sido obrigados a usar metal reciclado na blindagem de veículos militares.
Decisão
Em uma nota oficial enviada ao jornal militar Stars and Stripes, Rumsfeld admitiu não ter assinado a mão as cartas de pêsames.
"Embora não tenha assinado cada carta, com o objetivo de garantir contato com os parentes das famílias de luto, eu decidi que no futuro assinarei todas as cartas", diz a nota de Rumsfeld.
"Estou profundamente agradecido pelas muitas cartas que recebi das famílias daqueles que morreram a serviço do nosso país, e reconheço e honro as perdas pessoais deles."
Várias famílias de soldados americanos mortos em serviço afirmaram que as cartas assinadas por uma máquina refletem falta de respeito à perda delas.
"Para mim é um insulto, não só como alguém que perdeu um ente querido, mas também como alguém que serviu no Iraque", afirmou o soldado Ivan Medina, que perdeu o irmão gêmeo no Iraque, ao Stars and Stripes.
Renúncia
A polêmica renovou a discussão sobre a renúncia de Rumsfeld, que havia sido duramente criticado por causa da invasão do Iraque e das conseqüências da ação.
"A questão do secretário de Defesa não assinar as cartas pessoalmente é simplesmente estupefatora", afirmou o senador republicano Chuck Hagel à rede de TV CBS, acrescentando que o presidente George W. Bush assina todas as cartas de próprio punho.
"Eu não confio em Rumsfeld", atacou o senador Hagel, um veterano condecorado na guerra do Vietnã.
A Casa Branca, no entanto, apressou-se a reiterar a sua confiança em Rumsfeld, dizendo que ele deve permanecer no cargo.