20 de dezembro, 2004 - 15h24 GMT (13h24 Brasília)
A polícia e o Exército iraquianos anunciaram ter prendido pelo menos 51 suspeitos de ligação com os ataques de domingo em Najaf e Karbala, que mataram mais de 60 pessoas.
Detalhes sobre os presos ainda não foram divulgados, mas um deles seria de origem árabe e teria um passaporte estrangeiro. Ele está sendo interrogado pelas autoridades iraquianas.
Segundo as autoridades iraquianas, os ataques tiveram como objetivo prejudicar o andamento dos preparativos para a realização de eleições no Iraque em janeiro.
A correspondente da BBC no Iraque Caroline Hawley disse que a polícia e o Exército iraquianos estudam novas estratégias para conter a violência no país até as eleições.
Xiitas e sunitas
Militantes sunitas são acusados de ter arquitetado os ataques. Mas líderes xiitas apelaram por calma e pediram que seus seguidores não revidem.
Um dos principais líderes xiitas do Iraque, o clérigo Mohammed Said al-Hakim, disse que os atentados têm a intenção de provocar violência entre xiitas e sunitas, prejudicando as eleições.
O religioso fez um apelo para que seus seguidores evitem atos de violência como vingança pelos ataques.
"É o trabalho de Deus, e não dos homens, vingar e recompensar as vítimas", afirmou.
Depois de também apelar pelo fim da violência, outro respeitado clérigo xiita, Mohammed Bahr al-Uloum, afirmou que os fiéis dessa corrente do Islã, que são maioria no Iraque, têm o firme compromisso de contribuir para que as eleições transcorram pacificamente.
Os ataques com carros-bomba nas cidades de Najaf e Karbala deixaram o maior número de civis mortos em um único dia no Iraque desde julho.
Os Estados Unidos estão aumentando o número de soldados no Iraque para 150 mil para tentar evitar uma escalada de violência antes das eleições e fazer com que o processo eleitoral siga em frente com relativa segurança.
Especialistas dizem, no entanto, que é praticamente impossível evitar ataques como os de domingo.