19 de dezembro, 2004 - 17h19 GMT (15h19 Brasília)
O estado de saúde do ex-presidente do Chile Augusto Pinochet evoluiu e não é mais crítico, segundo o último boletim médico, divulgado neste domingo pelo Hospital Militar de Santiago.
"Ele recuperou a consciência e a mobilidade", disse a equipe médica por meio do boletim.
Pinochet foi internado na manhã de sábado com suspeita de ter sofrido um novo derrame.
Advogados de direitos humanos, no entanto, reagiram com desconfiança à notícia.
Um deles, Juan Pavin, disse que a internação pode fazer parte de uma estratégia freqüentemente usada pelo general.
"Quando não há uma decisão judicial iminente, nada acontece", disse o advogado à BBC.
A internação ocorre dias após o juiz Juan Gusmán ter indiciado Pinochet por participação na Operação Condor e às vésperas de um tribunal do Chile se pronunciar sobre o recurso apresentado pela defesa contra a prisão domiciliar do ex-ditador, também decretada por Gusmán.
Segundo o general da reserva Guillermo Garín, porta-voz de Pinochet, ele desmaiou enquanto tomava o café da manhã, e foi levado para o Hospital Militar de Santiago, onde está sendo submetido a uma série de exames.
Julgamento
O juiz Juan Guzmán acusou Pinochet de responsabilidade em dez crimes (nove seqüestros permanentes ou desaparecimentos e um homicídio qualificado) no âmbito da chamada Operação Condor, uma rede de cooperação entre governos militares do Cone Sul nos anos 1970.
Durante seu governo, cerca de 3 mil pessoas morreram ou desapareceram por motivos políticos. Outras 27 mil teriam sido torturadas.
O Tribunal de Recursos do Chile deve decidir nesta segunda se o recurso tem ou não validade.
Aos 89 anos, Pinochet tem diabetes e teria sofrido ao longo dos últimos anos uma série de derrames leves.