18 de dezembro, 2004 - 07h11 GMT (05h11 Brasília)
A decisão da União Européia (UE) de iniciar as negociações para a entrada da Turqia no grupo foi bem-recebida por líderes de outros páises.
Por outro lado, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan vai enfrentar duras cobranças a respeito do acordo que assinou quando voltar a seu país.
O consenso entre União Européia e Turquia foi alcançado quando Ancara concordou em assinar um protocolo que pode levar ao reconhecimento do governo greco-cipriota de Chipre - uma das exigências da UE para viabilizar as negociações.
O Secretário de Estado Colin Powell disse que a Turquia dentro da União Européia vai significar "uma força positiva para a democracia".
O acordo foi fechado depois de dois dias de intensas e calorosas discussões em Bruxelas, na Bélgica.
Erdogan, no entanto, fez questão de deixar claro que o protocolo assinado por ele não é um reconhecimento formal de Chipre.
"Nós não conseguimos 100% do que gostaríamos", disse ele numa entrevista coletiva, "mas podemos dizer que foi um sucesso".
'Preço alto'
O correspondente da BBC em Istambul, Jonny Dymond, disse que muitos turcos estão temerosos de que a concordância em reconhecer - mesmo que de forma parcial - o governo cipriota grego possa significar um abandono dos turcos cirpiotas que vivem no norte da ilha.
Há muito tempo, os opositores políticos de Erdogan acusam-no de ser muito suave em relação a Chipre. Eles devem afirmar que ele pagou um preço muito alto pela negociação para a inclusão na UE, acrescentou o correspondente.
Na sexta-feira, os líderes europeus confirmaram que a Turquia - um país pobre e majoritariamente muçulmano - tinha completado a última das mudanças essenciais nas leis necessárias para se adequar às condições democráticas da União Européia para iniciar as conversas.
O início das negociações está marcado para o dia 3 de outubro de 2005.
O primeiro-ministro holandês Jan Peter Balkenende, que detém a presidência da União Européia, disse que Ancara "aceitou o que nós oferecemos".
O presidente da Comissão Européia Jose Manuel Barroso disse: "Hoje (sexta-feira) é também um novo início para a Europa e para a Turquia... Não é o fim do processo. Esse é o começo."
O primeiro-ministro Tony Blair disse que o acordo revelava que não existe um choque fundamental de civilizações entre cristãos e muçulmanos.
"Pelo contrário, se (a Turquia) cumprir os mesmos princípios de direitos humanos, aí muçulmanos e cristãos podem trabalhar juntos."
O acordo também foi bem-recebido pelos Estados Unidos. O Secretário de Estado americano Colin Powell disse: "Uma Turquia que está firmemente ancorada na Europa, dividindo valores europeus, vai ser uma força positiva para a prosperidade e para a democracia."
Caminho longo
Por outro lado, o presidente francês Jacques Chirac ressaltou que a adesão da Turquia à UE ainda não estava garantida e prometeu que a questão talvez até seja tema de um referendo na França.
O chanceler austríaco Wolfgang Schuessel, que se opôs à entrada da Turquia na UE, também disse que seu país vai realizar um referendo.
Segundo o acordo, ainda não totalmente detalhado, a Turquia deve divulgar uma carta prometendo modificar suas políticas fronteiriças para os dez novos integrantes do bloco, incluindo Chipre.
Isso deve ser feito antes da data proposta para o início das negociações, segundo diplomatas europeus.
O acordo fechado nesta sexta-feira dá mais tempo ao governo turco para “vender” a idéia internamente no país, onde a disputa entre turcos e gregos em Chipre evoca posições extremadas.
A parte sul de Chipre é internacionalmente reconhecida como um país e se integrou ao bloco europeu neste ano.
A Turquia, entretanto, que ocupa o norte da ilha, não reconhece a legitimidade do governo grego de Chipre, uma ilha que está dividida desde a disputa entre os gregos e turcos no início da década de 70.
A União Européia diz que as negociações para a entrada da Turquia podem durar até 15 anos e não há garantia de admissão.
Foi também anunciado nesta sexta-feira que a União Européia vai iniciar negociações para a admissão da Croácia, em abril de 2005.
As conversas só vão ter início, entretanto, se o país cooperar incondicionalmente com o tribunal de crimes de guerra da ONU (Organização das Nações Unidas) para a antiga Iugoslávia.