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18 de dezembro, 2004 - 12h03 GMT (10h03 Brasília)

Musharraf diz que vai permanecer na chefia do Exército

O presidente do Paquistão Pervez Musharraf volta atrás na sua promessa de abandonar a chefia do Exército no fim do ano, dizendo que vai permanecer no cargo.

Ele acrescentou que vai fazer um pronunciamento à nação para explicar os motivos da mudança de atitude, mas não deu mais detalhes.

Opositores de Musharraf vêm realizando protestos para que ele deixe o Exército.

No mês passado, o parlamento paquistanês promulgou um controverso projeto de lei que permite com que o general mantenha seu papel duplo como presidente e chefe do Exército.

Durante uma entrevista na televisão, ele insistiu que a manutenção de seu cargo militar era crucial na sua campanha contra os militantes islâmicos e na obtenção de um acordo com a Índia sobre a Caxemira.

"Eu vou permanecer de uniforme", disse o presidente.

'Apoio popular'

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad, Zaffar Abbas, apesar de Musharraf ter dado vários sinais claros nas últimas semanas sobre sua intenção de permanecer na chefia do Exército, o anúncio chocou muitas pessoas.

Alguns especialistas jurídicos afirmam que Musharraf tem de cumprir os preceitos da Constituição de deixar seu cargo militar e que a promulgação de uma lei normal não pode passar por cima dessa exigência.

Na entevista, o presidente afirmou que 96% dos paquistaneses querem que ele permaneça no Exército. Ele não divulgou a fonte da pesquisa.

O golpe que levou Pervez Musharraf ao poder em 1999 foi condenado internacionalmente. Porém, desde então, o general se tornou um dos atores principais na "guerra contra o terrorismo" liderada pelos Estados Unidos.

O embaixador americano em Islamabad disse que os paquistaneses é que devem decidir se Musharraf deve ocupar os dois cargos.

A Comunidade Britânica de Nações (Commonwealth) também disse não se opôr à decisão.

O correspondente da BBC diz que é esse tipo de endosso internacional - registrado também durante recentes visitas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha a Musharraf - que fez com que o general tomasse essa atitude.

O mandato do presidente termina em 2007.