15 de dezembro, 2004 - 09h09 GMT (07h09 Brasília)
O principal representante americano em Cuba, James Cason, disse ter sido alertado pelo governo de Havana que pode enfrentar sérias conseqüências se não retirar as luzes de Natal que decoram o escritório diplomático dos Estados Unidos na capital cubana.
Cason mandou instalar um enorme painel em frente ao edifício que inclui luzes formando o número 75 – uma referência ao número de dissidentes cubanos presos numa ofensiva do governo no ano passado.
As autoridades cubanas já pediram a Cason duas vezes que retirasse os ornamentos natalinos.
"O regime de Castro está ameaçando a missão diplomática com retaliação", afirmou o encarregado de negócios dos Estados Unidos numa entrevista coletiva.
Ele sustenta, porém, que as luzes vão continuar no local porque são uma forma de chamar a atenção para as violações dos direitos humanos na ilha.
Provocação
O correspondente da BBC em Havana afirma que o painel parece ser uma provocação proposital de Washington às autoridades do governo de Fidel Castro.
Cuba prendeu 75 dissidentes em março de 2003, acusando-os de atuar ao lado dos americanos para derrubar o governo comunista da ilha.
O presidente Fidel Castro e outras autoridades criticam Cason com freqüência por realizar reuniões de dissidentes em sua residência.
Apesar dos ataques, o representante americano continua suas atividades contrárias ao governo cubano.
Recentemente, ele pediu a integrantes da oposição que escrevessem seus sonhos de democracia em Cuba e os enterrassem no quintal de sua casa.
Washington rompeu relações com Havana e impôs sanções contra Cuba após a revolução liderada por Fidel em 1959. Os dois países, porém, mantêm escritórios para cuidar de seus interesses um na capital do outro.