15 de dezembro, 2004 - 00h23 GMT (22h23 Brasília)
Advogados que vão defender membros do governo de Saddam Hussein no Iraque criticaram um anúncio de que alguns de seus clientes começarão a ser julgados na semana que vem.
Os advogados dizem que não tiveram tempo para preparar a defesa.
Eles também afirmam que tiveram negado acesso às pessoas a quem deverão representar.
Seu porta-voz, Ziad Khasawneh, disse que vê o processo como ilegítimo.
O anúncio de que o julgamento deve começar em breve foi feito nesta terça-feira pelo premiê iraquiano, Iyad Allawi.
Em um discurso no Conselho Nacional Iraquiano, ele disse que "os símbolos" do antigo regime seriam julgados "um a um".
Mas Allawi não especificou quem deve comparecer ao tribunal primeiro. Além de Saddam Hussein, estão presos aguardando julgamento o ex-vice-premiê iraquiano, Tariq Aziz, e dez outros antigos integrantes da cúpula do governo durante o regime deposto de Hussein.
Sinais conflitantes
O governo iraquiano vinha dando sinais conflitantes sobre quando os julgamentos aconteceriam.
Allawi tinha dito que eles aconteceriam entre outubro e novembro, enquanto outros integrantes do governo tinham sugerido que eles teriam início em 2006.
Os militares americanos disseram que sete das 11 ex-autoridades iraquianas sob custódia americana, entre eles Ali Hassan al-Majid, conhecido como 'Ali Químico', e o ex-primeiro-ministro, Tariq Aziz, fizeram recentemente uma greve de fome de dois dias.
Eles exigiam receber visitas da Cruz Vermelha, além de protestar contra a ilegalidade de suas detenções e seus eventuais julgamentos.
Polônia
O ministro da Defesa da Polônia, Jerzy Szmajdzinski, confirmou uma redução no número de soldados poloneses no Iraque.
Setecentos soldados serão chamados de volta à Polônia a partir de fevereiro.
O envio de quase 2,5 mil poloneses para o Iraque foi uma medida impopular na Polônia.
Sua retirada parcial deve começar depois das eleições no Iraque, planejada para janeiro.
Ainda nesta terça-feira, Allawi disse que a polícia iraquiana matou um auxiliar próximo do líder militante Abu Musab Al-Zarqawi e capturou outros dois.