08 de dezembro, 2004 - 23h03 GMT (21h03 Brasília)
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira, por maioria esmagadora, uma ampla reforma dos serviços de inteligência do país recomendada pela comissão bi-partidária que investigou os atentados de 11 de setembro de 2001.
As propostas, formuladas para impedir um novo ataque do tipo, foram alvo de muito debate político.
O inquérito constatou que as agências de inteligência do país não compartilhavam informações e se engajavam com freqüência em competição burocrática.
Espera-se que o presidente americano, George W. Bush, sancione a lei ainda nesta quarta-feira.
Será criado um cargo de diretor nacional de inteligência, encaregado de coordenar o trabalho das 15 agências de coleta de informações do país, inclusive a CIA e o FBI (a polícia federal americana).
O novo diretor também vai controlar os orçamentos multimilionários dessas agências.
As mudanças são as mais radicais no sistema de inteligência americano desde o fim da Guerra Fria.
Fronteiras
Também é previsto um reforço da segurança das fronteiras e um aumento dos poderes de agentes de inteligência para coletar informações.
Os agentes poderão grampear telefones de pessoas suspeitas de envolvimento em "terrorismo" e será adotado equipamento mais eficiente para fiscalizar bagagens nos portos de entrada no país.
Um número extra de cerca de 2 mil guardas de fronteira serão recrutados por ano nos próximos cinco anos.
Também será criado um centro nacional de combate ao terrorismo.
Oposição
Apesar de receber o apoio do presidente George W. Bush e de familiares das vítimas dos atentados, a proposta sofreu oposição da velha guarda do Partido Republicano.
Eles alegaram temer que a medida prejudicasse a capacidade do Pentágono de coletar informações.
O presidente George W. Bush fez intenso lobby para buscar apoio de líderes republicanos no Congresso para a proposta.
O senador democrata Jay Rockefeller, integrante da influente comissão de inteligência do Senado, recebeu bem a legislação proposta. Segundo ele, se ela existisse em 2001, "provavelmente tivéssemos uma chance de não passar pela terrível experiência que passamos no dia 11 de setembro".
Mas o presidente da comissão das Foças Amadas da Câmara dos Representantes, Duncan Hunter, teme que o novo diretor de inteligência possa se colocar na cadeia de comando entre o presidente americano e os líderes militares.
A proposta foi emendada para deixar claro o controle do presidente sobre os militares.
Alguns críticos da nova legislação queriam medidas mais duras, como negar carteira de motorista para imigrantes ilegais.