08 de dezembro, 2004 - 05h25 GMT (03h25 Brasília)
Os Estados Unidos estão enviando até 600 fuzileiros navais para as Filipinas para participar dos trabalhos de resgate e assistência às pessoas afetadas pelas enchentes no país.
Ocorreram inundações e deslizamentos de terra no país depois que quatro chuvas torrenciais em duas semanas deixaram um saldo de cerca de 1.000 mortos ou desaparecidos.
Até uma dezena de aviões de carga e helicópteros vão acompanhar as tropas, de acordo com declaração do Pentágono.
As autoridades americanas dizem que a medida é uma resposta a um pedido das Filipinas que, na terça-feira, disse que as chuvas causaram prejuízos no valor de milhões de dólares.
Nota do Pentágono acrescenta que as forças de apoio americanas ficarão no país apenas o tempo necessário para que os filipinos possam realizar suas próprias operações de maneira sustentável.
O correspondente da BBC no Pentágono, Nick Childs, disse que os Estados Unidos e as Filipinas mantém uma forte aliança e laços estreitos de amizade.
Desabrigados
As Filipinas vem cooperando com a campanha internacional contra o terrorismo anunciada pelo presidente George W. Bush, e os Estados Unidos enviaram forças para ajudar no treinamento e apoio dos militares filipinos.
Fuzileiros e outros integrantes da marinha começaram a deixar a base japonesa em Okinawa, levando água potável, remédios, cobertores e geradores.
Cerca de 200 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas quando as violentas tempestades varreram províncias no nordeste do país.
Várias áreas se tornaram acessíveis apenas por helicóptero.
A presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, pediu que as pessoas façam o que puderem para ajudar as 170 mil vítimas de uma série de tempestades que atingiram o país esta semana e que provocou enchentes e deslizamentos de terra. Mais de mil pessoas morreram ou ainda estão desaparecidas.
A água das enchentes está começando a baixar, mas equipes de resgate ainda precisam fazer a entrega de suprimentos à pé porque algumas cidades ficaram isoladas após os deslizamentos.
Segundo autoridades do país, está começando a faltar comida e medicamentos nesses locais.
"Nós precisamos de ajuda para fazer a entrega de suprimentos, achar os que ainda estão desaparecidos, resgatar aqueles que estão isolados, alimentar os famintos e abrigar aqueles que perderam suas casas", disse Arroyo em rede nacional de televisão.
Sacos para colocar os mortos começaram a ser distribuídos nas cidades mais atingidas, já que os sobreviventes estavam queimando os mortos com medo de uma possível epidemia.
Calamidade
O número de mortos ainda não foi confirmado, mas porta-vozes do Exército disseram que pelo menos 479 corpos foram encontrados na província de Quezon, no nordeste do país.
Segundo a agência de notícias Reuters, soldados que conseguiram chegar a uma vila isolada em Dingalan disseram ter encontrado cerca de cem corpos.
Na capital Manila, pelo menos 30 pessoas morreram em decorrência do tufão Nanmadol, que atingiu a região na quinta-feira.
Dezenas de milhares de moradores de cidades costeiras abandonaram suas casas, em busca de refúgio sobre montanhas e localidades mais altas que não costumam ser afetadas pelas águas.
As escolas e repartições públicas foram fechadas. Vôos foram cancelados, assim como a partida dos barcos.