02 de dezembro, 2004 - 13h24 GMT (11h24 Brasília)
Uma cerimônia na Bósnia-Herzegóvina marcou o início da maior missão de paz da União Européia, que assume a tarefa no lugar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Cerca de 7 mil soldados da força conhecida como Eufor vão ser distribuídos pelo país para manter a paz e a estabilidade, nove anos depois do fim da guerra da Bósnia.
A Otan vai manter uma pequena base para lidar com assuntos como reforma militar e localização de criminosos de guerra.
Na cerimônia realizada nesta quinta-feira, a bandeira da Otan foi substituída por uma representando a Eufor.
A nova força de paz é composta por 30 países, incluindo alguns que não integram a União Européia, como Canadá e Turquia.
Bósnia na Europa
Durante a cerimônia de transferência de poder, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que o fato é um divisor de águas no desenvolvimento da Bósnia-Herzegóvina e prova a cooperação entre a Otan e a União Européia.
"O progresso da Bósnia-Herzegóvina era inimaginável no início dos anos 90", disse. "As pessoas nesse país não precisam de ninguém para dizer o quão desesperador era naquela época."
Scheffer disse que a população não vive mais com medo, que as instituições do Estado foram estabelecidas e que os direitos humanos estão sendo respeitados.
O responsável pela área de política externa da União Européia, Javier Solana, também participou da cerimônia, realizada em Sarajevo, e disse que a Bósnia está olhando para o futuro, "um futuro da Bósnia na Europa, com seus valores, progresso e prosperidade".
Solana disse que a tomada de controle da operação de paz pela União Européia significa o compromisso da Europa com essas metas.
Divisão de tarefas
Na transição, 80% dos soldados da Eufor vão apenas trocar seus distintivos da Otan por distintivos da nova força.
Enquanto a União Européia fica encarregada das tarefas gerais de manutenção da paz, o novo quartel-general da Otan em Sarajevo vai cuidar da reforma da Defesa e atuar na prevenção ao terrorismo.
As duas organizações vão ficar responsáveis pela detenção de criminosos de guerra, na convicção de que operações conjuntas vão facilitar a captura dos fugitivos, incluindo os líderes bósnios-sérvios Radovan Karadzic e Ratko Mladic.
"Pessoas como Karadzic e Mladic já deveriam estar em Haia há muito tempo aguardando seu julgamento. Eles são acusados de terem cometido os piores crimes conhecidos pela humanidade."