30 de novembro, 2004 - 01h47 GMT (23h47 Brasília)
O governo de Cuba libertou pelo menos três dissidentes políticos na segunda-feira.
Eles faziam parte dos 75 ativistas de oposição que foram presos na ilha em 2003 e condenados a penas de até 28 anos em 2004, acusados de desrespeito à autoridade, resistência à prisão e desordem pública.
Entre os libertados está o escritor Oscar Espinosa Chepe, que havia sido condenado a cumprir uma sentença de 20 anos depois de um breve julgamento em abril. Marcelo Lopez e Margarito Broche são os outros dois presos soltos na segunda-feira.
Ativistas da oposição disseram esperar que outros dissidentes também sejam soltos, depois que cerca de 18 deles foram levados a hospitais de Havana no fim de semana para exames de rotina.
Sanções
A prisão e condenação dos 75 dissidentes foi a razão para que a União Européia aplicasse uma série de medidas contra o governo cubano, o que levou a um congelamento total das relações bilaterais.
A libertação dos presos aconteceu apenas alguns dias depois que o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, se encontrou com o embaixador espanhol para normalizar as relações diplomáticas com a Espanha.
A Espanha tem tentado melhorar a relação de Cuba com a União Européia desde que o grupo impôs sanções ao país no ano passado.
"Esse gesto de boa vontade mostra que o governo cubano está interessado nas conversas com a União Européia", disse o dissidente Manuel Vazquez Portal, que também esteve preso até cinco meses atrás.
"Estou feliz agora", disse o escritor Chepe, que foi solto no dia de seu 64º aniversário. "Eu estava mesmo pessimista. Eu não acreditava que iam me deixar sair da prisão."
Ele também pediu que o governo cubano solte outros prisioneiros. "Há pessoas na prisão que estão muito doentes. Essa situação não pode continuar. A pressão internacional é forte, a mídia tem um papel muito importante, e nós esperamos que todos sejam soltos", acrescentou.