29 de novembro, 2004 - 13h50 GMT (11h50 Brasília)
O governo do Sudão ordenou nesta segunda-feira a expulsão de dois agentes humanitários que, segundo autoridades sudanesas, fizeram declarações políticas sobre a crise na região de Darfur.
Os diretores das agências britânicas Save the Children e Oxfam devem deixar o Sudão nas próximas 48 horas.
O governo sudanês acusou os agentes de "prolongar o conflito ao invés de ajudarem a combater a crise".
A Save the Children retirou, na semana passada, uma equipe de agentes humanitários por causa da violência na cidade de Tawilla, no norte de Darfur.
Leis de não-intervenção
A Comissão para Assuntos Humanitários do Sudão afirma que as organizações britânicas romperam leis de não-intervenção em assuntos políticos, setoriais e étnicos do Sudão.
A Save the Children disse que os seus agentes foram forçados a deixar Tawilla quando aviões do governo bombardearam um local próximo a um centro de distribuição de alimentos mantido pela organização.
A ONG Oxfam vem trabalhando no norte do Sudão durante os últimos 20 anos e a Save the Children é uma das organizações que mais vêm distribuindo alimentos na região.
A organização fornece alimentos para cerca de 300 mil pessoas dos 1.5 milhão de refugiados na área da crise.
A expulsão dos dirigentes foi ordenada em uma carta assinada por Abdel Khaliq Al-Hussein, atual encarregado da comissão para assuntos humanitários do Sudão.
Em uma declaração divulgada pela agência de notícias sudanesa, a Save the Children e a Oxfam são criticadas por "enviarem sinais de apoio aos foras-da-lei e aos rebeldes responsáveis pela prolongação da guerra em Darfur".
Um porta-voz da Oxfam confirmou o recebimento da carta de expulsão, mas disse que a organização vem aguardando por mais detalhes.
As expulsões acontecem um dia depois de o governador do Norte de Darfur suspender um estado de emergência na região e pedir para que as agências humanitárias retomassem os seus trabalhos.
Mas o Programa de Alimentos da ONU (Organização das Nações Unidas), por exemplo, afirmou que a medida não é suficiente e denuncia constantes violações de um acordo de cessar-fogo assinado recentemente.