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29 de novembro, 2004 - 22h24 GMT (20h24 Brasília)

EUA dizem que ainda podem questionar Irã na ONU

Os Estados Unidos disseram que ainda poderiam levar o Irã ao Conselho de Segurança da ONU, mesmo que os inspetores nucleares tenham afirmado que Teerã suspendeu completamente seu programa de enriquecimento de urânio.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClelan, disse que "a implementação e verificação do acordo são críticas".

"O Irã fracassou muitas vezes em cumprir com seus deveres durante o último ano e meio."

O governo americano acusa o Irã de planejar a construção de armas nucleares, mas Teerã nega tal acusação, dizendo que seu programa será usado somente para a produção de energia.

Vigilância

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, confirmou nesta segunda-feira em Viena que o Irã suspendeu o seu programa de enriquecimento de urânio. O urânio é um material-chave para a produção de bombas atômicas.

O diretor da agência da ONU disse que 20 centrífugas alvos de disputas entre o Irã e a AIEA, que eram usadas para fabricar material nuclear, estão agora sob vigilância da agência.

Na semana passada, o Irã queria que as centrífugas ficassem de fora do acordo de suspensão.

Baradei disse esperar que o Irã mantenha a suspensão e coopere, "da forma mais transparente possível", com a AIEA.

A decisão do governo iraniano, segundo o diretor da agência, ajuda a aliviar as preocupações da comunidade internacional com o programa nuclear iraniano.

"Quanto maior a cooperação demonstrada por Teerã, mais poderemos garantir à comunidade internacional que o programa nuclear do Irã tem preocupações apenas civis", disse El Baradei.

O porta-voz da delegação iraniana em Viena, Hossein Mousavian, disse esperar que com essa suspensão o Irã seja eliminado da agenda da AIEA, organização que zela pela segurança das usinas nucleares de todo o mundo.

O Irã fez um acordo com a União Européia, há duas semanas, sobre a suspensão de todas as suas atividades de enriquecimento de urânio - em troca de incentivos econômicos, políticos e tecnológicos.