29 de novembro, 2004 - 10h11 GMT (08h11 Brasília)
O ex-primeiro-ministro da Espanha José María Aznar defendeu a forma como o seu governo lidou com os atentados ocorridos em Madri, em março deste ano, em depoimento a uma comissão parlamentar.
Aznar perdeu as eleições realizadas apenas três dias depois dos ataques, que mataram 191 pessoas e deixaram 1,8 mil feridas.
Muitos espanhóis atribuíram os atentados ao apoio de Aznar aos Estados Unidos na guerra do Iraque.
Inicialmente, o governo – que era favorito nas pesquisas até os ataques – deu a entender que se tratava de mais um ato do ETA, o grupo separatista basco, mas os serviços de segurança acabaram responsabilizando grupos militantes islâmicos.
Socialistas
![]() Muitos espanhóis culparam o governo pelos ataques |
Segundo a agência de notícias Associated Press, Aznar começou o seu depoimento à comissão parlamentar que investiga os ataques dizendo que os políticos de oposição, agora no governo, foram os primeiros a culpar o ETA.
Neste mesmo depoimento, a comissão parlamentar deve perguntar a Aznar sobre a quantidade de informações que ele tinha disponíveis sobre um possível ataque e se o seu governo poderia ter feito mais evitar a tragédia de Madri.
Na sessão de abertura, Aznar, no entanto, disse que "contou a verdade" sobre o que sabia na época.
O ex-primeiro-ministro também está sendo questionado sobre a razão de o seu governo ter sugerido que a culpa era do ETA, apesar de indícios em contrário.
O ministro da Administração Pública da Espanha, Jordi Sevilla, disse que Aznar também terá de explicar por que, segundo o ministro, tentou convencer a imprensa e as embaixadas espanholas a declarar que os ataques haviam sido cometidos pelo ETA.
O governo socialista, que venceu as eleições de março, diz que a investigação vai incriminar o antecessor.
Já o Partido Popular de Aznar alega que está diante de uma oportunidade para provar que o governo da época agiu de boa fé, colocando a segurança dos espanhóis acima de tudo.