23 de novembro, 2004 - 13h03 GMT (11h03 Brasília)
A ONU está investigando cerca de 150 acusações de abuso sexual feitas contra seus funcionários civis e soldados da República Democrática do Congo.
Entre as acusações feitas estão pedofilia, estupro e prostituição praticados contra refugiados em campos montados pela ONU no país.
Haveria inclusive provas dos crimes registradas em fotos e em vídeos, de acordo com Janel Holl Lute, a secretária-geral assistente para operações de paz.
Alegações de que abusos foram cometidos em campos de refugiados da ONU vieram à tona no ano passado, o que fez com que a ouvidoria da entidade abrisse um inquérito.
"É crucial que estas missões estejam acima de acusações", afirmou Janel Holl Lute. Ela ainda acrescentou: "Nós estamos lançando uma luz sobre este problema para determinar o seu alcance. E não iremos parar por aqui".
Precedente
Há dois anos, já haviam sido feitas acusações semelhantes contra funcionários da ONU que atuavam no oeste da África.
Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que um pequeno número de funcionários civis e soldados da ONU tiveram comportamentos "vergonhosos" e devem ser punidos.
A missão da ONU no Congo conta com cerca de 10 mil soldados e foi mobilizada pela primeira vez em 2001, dois anos antes de uma guerra eclodir no país.
A violência sexual tem sido parte integrante da maioria dos conflitos na República Democrática do Congo.
Muitas mulheres sentem medo de testemunhar contra autoridades envolvidas em estupros, temendo retaliações.