21 de novembro, 2004 - 03h37 GMT (01h37 Brasília)
O projeto de reforma dos serviços de segurança dos Estados Unidos foi bloqueado na Câmara dos Representantes por membros do partido do próprio presidente George W. Bush.
O republicano Dennis Hastert cancelou a votação do projeto na última hora, dificultando a sua tramitação pelo Congresso antes do recesso de final de ano.
Com as reformas, sugeridas pela Comissão que investigou o trabalho das agências de segurança nos atentados de 11 de setembro, seria criado o cargo de diretor nacional de inteligência – ou o que "czar do contraterrorismo", segundo a imprensa americana – que supervisionaria o trabalho da CIA e outras agências. Também seria instituído um Centro Nacional de Combate ao Terrorismo.
A legislação – conhecida como Ato de Prevenção do Terrorismo e Reforma de (Serviços) Inteligência – contava com o apoio do presidente George W. Bush e já havia sido aprovada pelas duas câmaras do Congresso.
Rumsfeld
No entanto, a Câmara e o Senado aprovaram versões do projeto bastante diferentes e teria sido necessária uma negociação para chegar a um texto consensual.
Os democratas criticaram o cancelamento da votação, alegando que a decisão acabou com as chances de as reformas serem feitas ainda neste ano.
Dennis Hastert retirou o projeto de votação por causa de objeções de republicanos como Duncan Hunter.
Por causa da proximidade de Hunter com o secretário de Defesa Donald Rumsfeld, houve especulações, entre os parlamentares, de que o secretário teria conspirado para bloquear o projeto.
O Pentágono controla atualmente 80% do orçamento de inteligência e, com as reformas, algumas operações de inteligência sairiam da alçada do Departamento.
A Comissão 11/9 concluiu que a falta de comunicação entre as 15 agências de segurança civis e militares que existem nos Estados Unidos prejudicou a segurança dos Estados Unidos na época dos atentados de 11 de setembro.