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17 de novembro, 2004 - 10h38 GMT (07h38 Brasília)

Sharon acena com coordenação com palestinos em Gaza

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que poderá coordenar seu plano de retirada de Gaza com os novos líderes palestinos se eles adotarem iniciativas para conter ataques a israelenses.

Ele disse que Israel poderia estabelecer ligações com os palestinos em relação a medidas de segurança e nas áreas de Gaza a serem evacuadas por todos os colonos judeus.

Antes da morte do líder palestino Yasser Arafat, Sharon se recusava a discutir seu plano com os palestinos.

Os palestinos querem realizar eleições presidenciais em janeiro.

'Alto preço'

A morte de Arafat no dia 11 de novembro aumentou as esperanças de renascimento do processo de paz no Oriente Médio, mas também aumentou o medo da violência entre as facções palestinas que disputam o poder, segundo correspondentes da BBC na região.

"Se, com o tempo, virmos que há uma liderança palestina que está querendo combater o terrorismo, podemos ter segurança coordenada e talvez coordenação na transferência de território de onde sairmos", disse Sharon em encontro com integrantes de seu partido, o Likud.

"Estamos em um período de eventos sucessivos, com as eleições nos Estados Unidos, a morte de Arafat e, talvez, novas possibilidades diplomáticas no futuro."

Segundo ele, Israel quer um acordo diplomático que provavelmente traria paz e está "pronto a pagar um alto preço".

Mas Sharon disse também que não haverá concessões em assuntos de segurança.

Indenizações

O encarregado de indenizações e habitações para os colonos judeus forçados a deixar a Faixa de Gaza anunciou os avanços do plano.

Yonatan Bassi disse a repórteres em Jerusalém que até um terço dos 8 mil colonos que devem ser afetados pediram detalhes sobre a obtenção de indenizações, embora muitos ainda se oponham à iniciativa.

Israel planeja a retirada para junho ou julho depois de quase 40 anos de ocupação.

As famílias vão receber até US$ 300 mil (cerca de R$ 810 mil) em indenização.

Elas poderão ir para onde quiserem, segundo Bassi, e isso inclui assentamentos judeus na Cisjordânia.

No entanto, Bassi admitiu, que depois da morte de Arafat, mudanças na liderança palestina poderiam levar a mudanças no plano em si.