16 de novembro, 2004 - 05h32 GMT (02h32 Brasília)
Uma comissão do Senado americano divulgou nesta segunda-feira que o ex-líder iraquiano Saddam Hussein faturou US$ 21,3 bilhões com transações ilegais envolvendo a venda de petróleo.
O montante, que é duas vezes maior do que indicavam as estimativas anteriores, foi obtido por Saddam desde o início da década de 90 até 2003.
Uma das formas encontradas pelo ex-presidente para burlar o embargo comercial imposto ao Iraque durante seu governo teria sido contrabandear o petróleo para fora do país.
Saddam também teria fraudado o programa de troca de petróleo por comida, criado com o objetivo de garantir que o povo iraquiano fosse beneficiado pelas reservas petrolíferas do Iraque.
Fraqueza
Em seu depoimento à comissão, Charles Duelfer, conselheiro especial da CIA disse que muito do que os agentes de inteligência americanos descobriram realizando uma investigação sobre o programa “Petróleo por Comida” foi “feio”.
“O regime (de Saddam Hussein) dependia não de fazer com que as pessoas dessem o melhor de si, mas da promoção do que de pior tivessem. Ele envenenou tudo em que tocou, incluindo a ONU”, disse.
O senador Norm Coleman, presidente da comissão, disse que o que precisa ser esclarecido agora é quanto dos mais de US$ 21,3 bilhões faturados por Saddam “estão ajudando os rebeldes hoje”.
“A fraqueza do programa petróleo-por-comida levanta sérios questionamentos sobre a habilidade das Nações Unidas de impor sanções e administrar um programa de ajuda humanitária no futuro”, disse.
O programa Petróleo por Comida começou em 1996, com a ONU permitindo que o Iraque vendesse petróleo para comprar alimentos, remédios e outros itens essenciais, deixando que Bagdá preparasse os seus próprios contratos.