14 de novembro, 2004 - 13h02 GMT (10h02 Brasília)
O ministro do Exterior de Israel, Silvan Shalom, disse que em sua opinião os palestinos que vivem em Jerusalém oriental não devem ser autorizados a votar na eleição para escolher o sucessor de Yasser Arafat na Presidência da Autoridade Palestina.
Segundo ele, se Israel deixar os 200 mil palestinos que residem na região votar, poderia estar comprometendo futuras negociações sobre o status da cidade.
Mas integrantes do governo israelense afirmam que o primeiro-ministro Ariel Sharon não concorda com a posição de seu aliado e lembram que os palestinos de Jerusalém oriental puderam votar na eleição palestina de 1996.
Um alto funcionário da Autoridade Palestina, Saeb Erekat, fez um apelo para que os Estados Unidos e a União Européia impeçam Israel de colocar qualquer obstáculo à realização de eleições livres e justas.
Prisão
Líderes palestinos confirmaram neste domingo que a eleição para o sucessor de Arafat na Autoridade Palestina será realizada no dia 9 de janeiro.
A opinião de Shalon tem apoio de um de seus colegas de Likud, o ministro sem pasta Tzachi Hanegbi.
"Jerusalém é a capital de Israel", disse Hanegbi.
"Eles devem fazer parte da arena política israelense e não podem participar do processo eleitoral da Autoridade Palestina. No final, isso levaria à divisão da capital do povo judeu."
Hanegbi também disse que o líder palestino Marwan al-Barghuthi, que está preso em Israel, não deve ser libertado para concorrer à liderança da Autoridade Palestina, como vem sendo cogitado.
"Ele foi julgado por um tribunal israelense e condenado a cinco prisões perpétuas por atos cruéis de assassinato", disse Barghuthi.
Colaboração
Políticos palestinos dizem que, para que as eleições ocorram no dia 9 de janeiro, Israel precisará colaborar.
"Para podermos realizar as eleições, Israel terá de tomar uma série de medidas, inclusive permitir as eleições em Israel", disse Hasan Abu-Libdeh, chefe de gabinete do primeiro-ministro Ahmed Korei.
Um dos pontos mais delicados nessa questão é Jerusalém.
"As autoridades palestinas não vão aceitar realizar uma eleição sem a participação de Israel", acredita Aref Hajjawi, analista e diretor do Instituto de Mídia da Universidade de Berzeit.