13 de novembro, 2004 - 19h13 GMT (16h13 Brasília)
Um comboio da agência humanitária Crescente Vermelho, com suprimentos de emergência, chegou neste sábado à cidade de Falluja, no Iraque.
O comboio seria a primeira ajuda a chegar a Falluja desde o início da megaoperação americana e seria composto por cinco caminhões e três ambulâncias.
As tropas americanas e o governo interino do Iraque haviam recusado, anteriormente, a entrada de comboios de ajuda na cidade.
Os caminhões que agora alcançaram Falluja carregam comida, cobertores, materiais de primeiros-socorros, remédios e água.
A chegada do comboio acontece em meio à preocupação de agências humanitárias com a situação dos civis em Falluja. O Crescente Vermelho do Iraque, por exemplo, afirmou que uma de suas preocupações é o fato de que não se sabe quantas pessoas continuam na cidade, além do fato de que é preciso evacuar os feridos porque há poucos médicos por lá.
Avanços
Os americanos afirmam ter matado 1,6 mil insurgentes em Falluja e dizem que apenas grupos pequenos de militantes estariam oferecendo resistência às suas tropas no local.
Já o ministro da Segurança Nacional do Iraque, Kassem Daoud, disse que são mil os insurgentes mortos. Também segundo ele, 200 teriam sido capturados.
Daoud admitiu ainda que o militante jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi fugiu de Falluja e não foi capturado pelos americanos durante incursão à cidade.
Comandantes das tropas lideradas pelos Estados Unidos dizem que 80% da cidade já está sob seu controle e que a fase final da operação em Falluja – que entrou neste sábado em seu sexto dia – está se aproximando.
Febre tifóide
Há informações de que um surto de febre tifóide teria começado em Falluja.
As tropas americanas dizem que praticamente não têm visto civis na cidade.
A maioria teria saído na medida em que a ofensiva foi se mostrando iminente ou estaria sendo usada pelos insurgentes como escudos humanos, de acordo com os americanos.
O diretor do Crescente Vermelho, Ahmed al-Raoui, disse que sua agência está preocupada também com a situação das pessoas que saíram da cidade para fugir dos combates.
Segundo ele, muita gente está vivendo em acampamentos sem água na cidade vizinha de Habbaniyah.
O governo do Iraque, enquanto isso, prometeu destinar US$ 100 milhões para a reconstrução de Falluja.
Mosul
A violência ainda continua em outras partes do país.
Cerca de 500 soldados americanos foram retirados de Falluja para seguir a Mosul, no norte do Iraque, onde um toque de recolher foi imposto após três dias de conflitos.
Insurgentes teriam atacado várias delegacias de polícia e estariam com o controle de partes da cidade.
Na sexta-feira, soldados da guarda nacional iraquiana em Bagdá já haviam sido enviados para reforçar a segurança em Mosul.
Tropas americanas e insurgentes também estão em conflito em Ramadi, a oeste de Bagdá.
Autoridades iraquianas fecharam o aeroporto de Bagdá para vôos comerciais enquanto os confrontos de Falluja continuarem.
Al-Sadr
O clérigo radical xiita Moqtada Al-Sadr teria retirado o seu apoio às eleições no Iraque, que devem acontecer em janeiro.
Um porta-voz disse que o clérigo não aceita o fato de, segundo ele, as forças de ocupação estarem submetendo as cidades e o povo iraquiano à injustiça e à tirania.
Al-Sadr disse que apoiaria as eleições após um acordo em agosto que colocou fim aos confrontos entre forças americanas e os militantes leais a ele na cidade de Najaf.