12 de novembro, 2004 - 04h42 GMT (01h42 Brasília)
Soldados americanos enfrentaram forte resistência de rebeldes iraquianos nesta quinta-feira na cidade de Falluja e foram forçados a abandonar um hospital que estavam ocupando por causa do pesado fogo inimigo.
De acordo com um militar que participa da ofensiva, os rebeldes se reagruparam nas últimas horas, o que permitiu que eles reagissem com mais intensidade às forças invasoras.
Há informações de que o quartel-general provisório montado pelas tropas americanas no centro da cidade sofreu fortes ataques, mas ainda assim comandantes dizem que as tropas americanas e iraquianas estão perto de dominar completamente a cidade.
Os comandantes da missão também revelaram que, até o momento, 18 fuzileiros navais americanos e cinco soldados iraquianos morreram. Por outro lado, há informações de que cerca de 600 insurgentes foram mortos, e também um número indeterminado de civis.
Cadáveres
Nesta quarta-feira, os Estados Unidos haviam anunciado que já controlavam cerca de 75% de Falluja.
O correspondente da BBC que está acompanhando a ofensiva na cidade disse que as forças americanas estão tentando encurralar os rebeldes em uma área à beira do Rio Eufrates, que passa por Falluja.
Enquanto isso, o número de leitos disponíveis no principal hospital militar americano na Europa, que fica na Alemanha, está sendo ampliado para poder acomodar o fluxo de feridos vindos de Falluja.
Estima-se que cerca de 10 mil soldados americanos e 2 mil iraquianos estejam participando da ofensiva na cidade iraquiana.
Uma agência de ajuda humanitária, a Crescente Vermelho, lançou um alerta quanto à situação vivida pelos civis que estão na zona de combate.
A porta-voz da organização, Firdoos Al-Ubadi, disse que Falluja vive um “desastre”, com médicos sendo incapazes de alcançar a maioria dos feridos e tendo que trabalhar quase sem equipamentos.
Moradores da cidade disseram que conseguem até sentir o cheiro dos cadáveres de vítimas se decompondo.
Mosul
Ainda nesta quinta-feira, aviões americanos bombardearam posições ocupadas por rebeldes na cidade de Mosul, no norte do país.
Os rebeldes antes haviam atacado várias delegacias da cidade, roubando armas e iniciando incêndios.
Embora Mosul fique numa região de maioria curda do Iraque, boa parte da população da cidade é muçulmana sunita, como é a maioria dos moradores em Falluja.
Analistas acreditam que a violência em Mosul e outras cidades iraquianas esteja sendo uma forma encontrada por insurgentes de desviar a atenção das forças americanas, concentradas na ofensiva em Falluja.