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10 de novembro, 2004 - 14h56 GMT (11h56 Brasília)

Clérigo islâmico chega a Paris para ficar ao lado de Arafat

O clérigo islâmico Taissir Dayut Tamimi chegou nesta quarta-feira ao hospital militar em Paris onde o líder palestino Yasser Arafat está em coma.

Tamimi é um amigo próximo de Arafat, que tem 75 anos e sofreu hemorragia cerebral. Na terça-feira, o líder palestino recebeu a visita de uma delegação de dirigentes da Autoridade Palestina.

O grupo de políticos palestinos já retornou para a Cisjordânia, depois de visitar Arafat e concluir que o estado de saúde dele piorou nos últimos dias.

Israel concordou com o plano palestino de realizar o enterro de Arafat em Ramallah, e o Egito se ofereceu para organizar o velório de Arafat no Cairo.

O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que os Estados Unidos informaram a possíveis sucessores de Arafat que o país está pronto a se reunir com eles quando for necessário.

Eutanásia

Durante a viagem a Paris, em entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores palestino, Nabil Shaath, descartou uma eutanásia para acabar com a vida de Arafat.

Shaath disse que o cérebro, o coração e os pulmões de Arafat estão funcionando. De acordo com o ministro, o líder palestino não foi envenenado e nem tem câncer.

No entanto, os médicos ainda não divulgaram um diagnóstico completo da doença de Arafat.

O ministro palestino afirmou que a explicação mais provável para a doença do líder palestino seria a combinação de fatores, incluindo sua idade, uma vida difícil e o fato de, por determinação de Israel, ele ter ficado confinado nos últimos três anos em local com pouco oxigênio.

Quartel-general

Arafat viveu no seu quartel-general, em Ramallah, na Cisjordânia, nos últimos três anos, depois do recrudescimento da intifada palestina.

Segundo Shaath, a combinação de fatores teria provocado inflamação nos intestinos e no estômago, um quadro que teria se agravado nos últimos tempos, o que levou à transferência de Arafat para o hospital em Paris.

Na coletiva, o ministro confirmou que Arafat está em coma desde quarta-feira e que esse estado se agravou na noite passada.

Shaath assegurou, porém, que os médicos estão fazendo "todo o possível" pela saúde de Arafat.