09 de novembro, 2004 - 05h06 GMT (02h06 Brasília)
Um tribunal de Washington decidiu interromper o julgamento de um homem conhecido por ter trabalhado como chofer para o líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden.
O motorista Salim Ahmed Hamdan estava sendo julgado na base de Guantánamo, em Cuba, onde é prisioneiro sob suspeita de participar de atividades extremistas.
O juiz do tribunal na capital americana disse que o julgamento não pode prosseguir até que se determine se Hamdan é um prisioneiro de guerra – e, assim, protegido pelas Convenções de Genebra – ou se é um “combatente inimigo”, como diz o governo americano.
O mesmo juiz também disse que as comissões encarregadas de realizar os julgamentos de supostos extremistas em Guantánamo também precisam passar por reformas.
Suprema Corte
Advogados representando Hamdan disseram que a decisão é uma “gigantesca vitória” e que ela pode acabar impedindo a realização de todos os julgamentos em Guantánamo.
Por sua vez, o governo americano manifestou seu descontentamento com a oposição e já apresentou uma apelação contra a decisão.
Hamdan foi formalmente indiciado em agosto pelos crimes de planejar assassinatos e praticar terrorismo, mas o réu se diz inocente.
De acordo com o correspondente da BBC em Washington Justin Webb, além de Hamdan, outros três prisioneiros de Guantánamo estão sendo submetidos aos julgamentos.
Webb explicou que, com sua decisão anunciada nesta segunda-feira, a Justiça americana reconhece o direito dos detentos na base americana de serem considerados prisioneiros de guerra.
O correspondente acredita que o caso deve acabar sendo decidido pela Suprema Corte americana.