06 de novembro, 2004 - 03h17 GMT (00h17 Brasília)
O primeiro dia do novo julgamento do líder do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso terminou em caos, depois que o líder, Abimael Guzmán, iniciou uma manifestação em pleno tribunal.
Guzmán foi preso e condenado em um tribunal militar em 1992, mas no ano passado o veredicto foi suspenso, e agora ele está sendo julgado novamente – desta vez, na Justiça comum.
Ele e outros 15 membros do Sendero Luminoso são acusados de levar à morte milhares de pessoas durante os anos 80 e 90, quando o grupo estava no auge de sua atividade.
Durante a sessão desta sexta-feira, Guzmán surpreendeu a todos quando, pouco depois de o juiz ter pedido que jornalistas se retirassem da sala, Guzmán se levantou e, com um braço erguido, começou a gritar “Glória ao Marxismo, ao Leninismo e ao Maoísmo”.
“Longa vida”
Seus 15 seguidores, presentes ao tribunal, em seguida se juntaram ao protesto e responderam “longa vida aos heróis do povo. Longa vida ao povo peruano”.
O juiz então suspendeu a sessão até a próxima sexta-feira, e Guzmán foi encaminhado de volta a sua cela.
Guzmán formou o Sendero Luminoso, uma organização de ideologia maoísta, nos anos 70. As primeiras operações do grupo começaram a ser registradas em áreas rurais do Peru em 1980.
Segundo o correspondente da BBC em Lima Elliott Gotkine, ninguém no Peru, nem mesmo o próprio Guzmán, acredita que a Justiça do país vai determinar sua libertação.
Cerca de 70 mil pessoas foram mortas pelos guerrilheiros e pelas forças do governo peruano que atuavam contra o Sendero Luminoso durante os anos 80 e 90.
A maior parte dos membros da organização aceitou um acordo de paz depois que Guzmán foi preso, uma pequena facção continua ativa no sul do Peru.