06 de novembro, 2004 - 00h58 GMT (21h58 Brasília)
Soldados dos Estados Unidos entraram nesta sexta-feira na periferia de Falluja, no Iraque, onde devem iniciar uma grande ofensiva com o objetivo de retomar o controle da cidade, que está nas mãos de rebeldes.
De acordo com correspondente da BBC Paul Wood, que está acompanhando as forças americanas, um grande número de soldados, a bordo de veículos blindados e jipes, deixou uma base próxima a Falluja se dirigindo para a cidade pouco depois do anoitecer.
A agência de notícias Associated Press disse que até dez mil soldados americanos estão participando da operação, que também conta com o apoio da artilharia e de aviões, que vêm realizando bombardeios em locais onde se acredita que estejam os insurgentes.
As Forças Armadas americanas confirmaram os ataques na periferia de Falluja e disseram ter realizado cinco ataques aéreos na sexta-feira, que teriam destruído um posto de comando rebelde, além de depósitos de armas e locais usados como esconderijo pelos rebeldes.
Alertando residentes
Tropas lideradas por soldados americanos suspenderam um cerco de três semanas a Falluja em abril, depois que um grande número de civis morreu na operação.
Suspeita-se que a cidade abrigue Abu Musab Al-Zarqawi, acusado de uma série de seqüestros de estrangeiros e decapitações no Iraque, além de outros supostos extremistas ligados a ele.
As forças americanas vêm alertando os residentes em relação ao ataque usando panfletos lançados de aviões e com mensagens lidas com alto-falantes.
Acredita-se que menos de 60 mil dos cerca de 300 mil moradores de Falluja permaneçam na cidade.
“Inevitável”
Ainda nesta sexta-feira, um soldado americano foi morto e cinco ficaram feridos depois que os rebeldes de Falluja realizaram um ataque contra a base dos soldados americanos perto da cidade.
Paul Wood disse que existe um sentimento por parte dos soldados dos Estados Unidos de que uma grande ofensiva contra Falluja é agora inevitável e iminente. As unidades militares estão guardando grande quantidade de munição para a artilharia e o ritmo de treinamento aumentou.
O primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, ameaçou repetidas vezes lançar um grande ataque contra Falluja caso os moradores não entregassem Al-Zarqawi.
Allawi criticou uma carta que recebeu do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em que Annan alertou quanto aos riscos de um ataque de grandes proporções contra Falluja.