05 de novembro, 2004 - 23h24 GMT (20h24 Brasília)
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, enviou uma carta ao primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, alertando sobre os riscos de um ataque à cidade de Falluja – mas o documento foi criticado pelo líder iraquiano.
Na carta, cujo conteúdo foi divulgado pela agência de notícias Associated Press, Annan alertou que a crescente violência no país por parte dos insurgentes e a possibilidade uma ação militar em Falluja podem desencorajar os iraquianos a participar das eleições de janeiro.
“Eu e meus colegas queremos ajudar”, escreveu Annan na carta, também enviada aos governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. “Mas precisamos de um ambiente favorável, se quisermos que as eleições tenham um efeito positivo.”
Allawi confirmou ter recebido a carta, mas disse que ela era “confusa e sem substância”. O premiê iraquiano afirmou ainda que as possibilidades de um acordo para evitar um ataque em Falluja estão se esgotando.
Mortes de civis
Segundo ele, será sua a decisão de lançar o ataque, caso ela se mostre necessária, e não dos americanos.
“Definitivamente haverá mortes entre os civis”, disse Allawi, ressaltando também que tal ação é necessária para defender “a maioria que está sofrendo nas mãos de terroristas e insurgentes”.
O Exército americano bloqueou nesta sexta-feira todas as estradas que dão acesso a Falluja, o que aumentou a expectativa de que um grande ataque contra militantes rebeldes que atuam na cidade iraquiana está próximo.
Moradores dizem que os soldados bloquearam todas as vias de entrada e saída, incluindo a estrada que vai até a Jordânia e a Síria.
De acordo com um coronel citado pela agência de notícias Reuters, os militares estavam realizando os preparativos finais e esperando ordens de Iyad Allawi.
Ainda segundo o coronel, a operação só vai terminar quando os rebeldes em Falluja forem derrotados e o controle da cidade tiver retornado ao governo iraquiano.