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03 de novembro, 2004 - 12h11 GMT (09h11 Brasília)

Soldado desertor dos EUA é condenado à prisão

O soldado americano Charles Robert Jenkins, condenado por desertar os Estados Unidos para a Coréia do Norte em 1965, foi sentenciado a 30 dias de prisão por uma corte marcial no Japão.

Jenkins, de 64 anos, declarou-se culpado por deserção num depoimento emocionado, em que alegou ter vivido na Coréia do Norte por 39 anos porque temia ser transferido para a zona desmilitarizada entre as duas Coréias.

"Eu comecei a temer por mim mesmo, mas comecei a temer ainda mais que eu pudesse causar a morte de outros soldados. Comecei a beber", disse Jenkins, em lágrimas. "Eu nunca havia bebido tanto."

Ele contou à juíza detalhes da noite em que decidiu fugir para a Coréia do Norte. Segundo o seu relato, ele bebeu dez cervejas e amarrou uma camiseta no rifle como uma bandeira de rendição, antes de seguir para a Coréia do Norte.

Aulas de inglês

Jenkins disse que havia planejado pedir para ser mandado para a União Soviética, onde se entregaria à embaixada americana e em seguida retornaria aos Estados Unidos. "Eu deveria ter pedido por uma dispensa, mas não pedi. Foi um erro."

Jenkins também admitiu ter ajudado os inimigos, ensinando inglês a soldados norte-coreanos em uma escola militar perto de Pyongyang.

"Você não diz 'não' na Coréia do Norte. Você diz uma coisa ruim sobre Kim Il-Sung e cava a própria cova, porque você já era."

Ele diz que chegou a dizer que queria parar de dar aulas de inglês e foi levado para casa e espancado.

Jenkins, no entanto, declarou-se inocente e foi absolvido das acusações de deslealdade e de estimular a deserção de outros soldados.

O soldado está no Japão desde julho, depois que foi autorizado a deixar a Coréia do Norte para receber tratamento médico.

O caso foi acompanhado com interesse no Japão porque a mulher de Jenkins, Hitomi Soga, estava entre os cinco japoneses que foram seqüestrados pela Coréia do Norte e libertados em 2002.

Os dois se conheceram e se casaram na Coréia do Norte e têm dois filhos. Soga pediu leniência ao marido, que, segundo ela, cuidou da família apesar das difíceis condições na Coréia do Norte.