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30 de outubro, 2004 - 19h35 GMT (16h35 Brasília)

Grupo apresenta evidência de seqüestro no Afeganistão

Um grupo militante islâmico que afirma ter seqüestrado três funcionários da ONU em Cabul, no Afeganistão, apresentaram pela primeira vez evidência de ter os reféns em seu poder.

Um porta-voz para o grupo, denominado Exército de Muçulmanos, divulgou o número de dois cartões de crédito.

Autoridades confirmaram que um dos cartões pertence a um dos reféns. Elas ainda estão checando o segundo número.

Os três funcionários da ONU - Shqipe Habibi, um albanês de Kosovo, Annetta Flanigan, com nacionalidade britânica e irlandesa, e Angelito Nayan, um diplomata filipino - foram seqüestrados em Cabul na quinta-feira.

Os seqüestradores exigem a libertação de todos os prisioneiros afegãos e a retirada das forças americanas e de outros países do Afeganistão.

O correspondente da BBC em Cabul diz que essa é a mais clara indicação até agora de que o grupo Exército de Muçulmanos - que teria ligações com o Talebã - está envolvido em seqüestros.

Detidos

Mais cedo neste sábado sete suspeitos foram presos e interrogados a respeito do seqüestro.

Três dos sete detidos estavam armados e usavam uniformes, mas não pertencem ao Exército nem à polícia, segundo o ministério do Interior.

Os três funcionários da ONU trabalham para uma comissão que está acompanhando a contagem dos votos do pleito realizado em 9 de outubro.

Tropas fortemente armadas montaram bloqueios nas ruas da capital afegã e helicópteros Apache da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, em inglês), liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão realizando buscas aéreas.

O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou o seqüestro como um ato criminoso.

Temor

Não está claro se os reféns foram seqüestrados por conta de suas ligações com o processo eleitoral ou por serem estrangeiros.

Agências de ajuda humanitária e embaixadas estão revendo o seu esquema de segurança em Cabul e ao redor do país.

Esse é o primeiro seqüestro de estrangeiros no Afeganistão.

Funcionários da ONU receberam ordens para voltar para os seus escritórios e permenecer lá até que outra decisão seja tomada.

Observadores dizem que há agora o receito de que trabalhadores de organizações internacionais e de ajuda humanitária se tornem alvo no Afeganistão da mesma forma que tem ocorrido no Iraque.